Eduardo Lemos, gerente geral da PlayKids. Foto: Divulgação/PlayKids

Aplicativo de conteúdo infantil PlayKids mira escolas em 2021

Empresa controlada pela Movile Group, a PlayKids tem presença global. O LABS conversou com o gerente geral, Eduardo Lemos, sobre o que mudou após a pandemia de COVID-19

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Em um 2020 com escolas fechadas e restrições por conta da pandemia de COVID-19, as crianças viveram (e ainda estão vivendo) parte da infância por meio das telas. A profunda crise sanitária trouxe uma acachapante responsabilidade para empresas como a PlayKids, um aplicativo brasileiro de conteúdo multimídia infantil pertencente à Movile Group, holding que também tem sob seu guarda-chuva iFood e Zoop

A PlayKids começou a operar em 2013 com a proposta de entregar um conteúdo divertido que colaborasse para o desenvolvimento cognitivo das crianças. Com as escolas fechadas, a empresa ganhou também uma tarefa a mais: colaborar para o letramento e aprendizagem das crianças.

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“Se pensarmos no sentido de como elas interagem com o mundo e com as tecnologias, as crianças de 2021 definitivamente não são como as crianças de 2013. Nosso papel social e histórico é contribuir para a harmonia familiar entregando tempo de tela de qualidade para essa criança, através de produtos e conteúdos pensados no desenvolvimento para esse período que é tão importante para o ser humano, de 0 a 7 anos,” disse Eduardo Lemos, gerente geral da PlayKids, em entrevista ao LABS

“Nossa preocupação neste ano é como entregar ainda mais interatividade e que isso provoque desenvolvimento motor da criança, desenvolvimento empático. Tem vários pontos que a gente pode ainda melhorar dentro do app com os tipos de conteúdo que a gente insere.”

Segundo a Head de Produto da PlayKids, Maria Tereza de França Souza, a PlayKids produz conteúdo original como o Super Hands (atividade de do it yourself) e Shake Shake (para as crianças dançarem), além de produções parceiras como os sucessos Galinha Pintadinha, Pocoyo e Masha e o Urso

Maria Tereza de França Souza, Head de Produto da PlayKids. Foto: Divulgação/PlayKids

As produções brasileiras têm suas versões em inglês e espanhol. A ideia é convidar a criança para a interação familiar fora do app com as atividades propostas nos conteúdos. “Também temos conteúdos que ajudam a família durante a rotina, aquela hora difícil do sono, por exemplo. O Balãozinho ajuda as crianças a se acalmarem em momentos mais difíceis,” explica Souza. 

Mas nem tudo são flores. Já se sabe que crianças que passam muito tempo em frente às telas podem desenvolver problemas de visão, dificuldades para dormir, e até problemas mais graves como transtorno da compulsão alimentar periódica

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Com a COVID-19, a PlayKids viu o aumento de tempo de tela dessas crianças. “A pandemia trouxe muito essa tensão de como eu apoio uma mãe em home office a atender uma reunião, cuidar do filho e suportar essa ausência da escola. Naturalmente a gente tem um aumento no uso do aplicativo para ajudar na conciliação de diversas tarefas. [Mas] As famílias se sentem seguras com a PlayKids por toda a nossa curadoria de conteúdo. Elas sabem que é um conteúdo que vai promover o desenvolvimento dessas crianças, eles não podem ficar o dia inteiro na frente de uma tela, tem que ser responsável, tem que ser saudável para a criança.”

Produção brasileira para diversos formatos, em três línguas 

No aplicativo da PlayKids há vídeos, VOD, livros interativos e jogos. O streaming é por assinatura e custa R$ 29,90 por mês ou R$ 199,90 ao ano. Há também um modelo freemium, em que é possível acessar parte da plataforma gratuitamente.

5 milhões

é o número de usuários mensais do PlayKids (a empresa não abre o número de assinantes). O app está disponível em cerca de 180 países.

A PlayKids também oferece o Leiturinha, que inclui diversos serviços de livros. O principal deles, o Clube Leiturinha, funciona como um clube de assinatura de livros infantis onde mensalmente os mais de 180 mil assinantes recebem livros escolhidos especialmente para a fase de desenvolvimento das crianças de 0 a 11 anos.

São três planos disponíveis e as assinaturas podem ser mensais, anuais ou semestrais. Além do clube, a PlayKids tem a Loja Leiturinha, onde existem vários produtos curados também para o desenvolvimento das crianças, e o aplicativo Leiturinha, com conteúdos exclusivos e área restrita para assinantes. A PlayKids atende mais de 5 mil cidades no Brasil por meio da Leiturinha. 

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Os principais mercados da PlayKids são o Brasil, Estados Unidos e México, mas a empresa também cresceu significativamente na Austrália, Canadá e Argentina, segundo Lemos. A empresa não divulgou números do crescimento de usuários, de faturamento ou montante de investimento por instrução da Movile e da Prosus, maior investidor da Movile desde 2008. 

“O nosso crescimento foi primordialmente pela boa execução de um crescimento orgânico e uma inteligência e capacidade de entender onde estava o nosso usuário, onde aquela mãe e pai que precisavam do nosso app, estariam. Tivemos muita ciência, sorte e competência para conseguir atingir esse usuário.” 

Parceiros integradores como as operadoras telefônicas e a Roku, que trazem o app da PlayKids, também foram uma forma de acelerar essa expansão internacional, principalmente no México. “Caminhar para outros países não é uma tarefa trivial. Estamos falando de outra cultura, outro mercado, outras necessidades.”

A estratégia da PlayKids passa hoje por duas linhas de negócio: o B2C no mercado global de user acquisition, em que cada vez mais a empresa deve investir dinheiro, e a estratégia B2B.  O app tem negociado uma parceria com um grande grupo automobilístico, e não descarta colocar seu aplicativo nas aéreas. “Entendemos que a viagem é um momento em que você precisa distrair essa criança e deixá-la confortável, até para que o motorista possa dirigir com segurança e cuidado”. 

Eduardo Lemos, gerente geral da PlayKids. Foto: Divulgação/PlayKids

No início da pandemia, a PlayKids fechou uma parceria com um grande grupo de educação (que não é divulgado). Durante três meses a empresa entregou quase 100 mil senhas para que esse grupo pudesse distribuir para seus respectivos alunos a fim de tentar amenizar a ausência da escola física.

Caminhar em direção ao mercado escolar formal é um dos objetivos do app, contribuindo para que a sala de aula seja mais lúdica. Ou seja, inserir tecnologia nas salas de aula. “A gente está em um processo de desenhar exatamente esse produto que encaixe perfeitamente dentro da sala de aula para ajudar o professor a deixar a aula mais lúdica e aproximar o pai da escola.”

Se a criança de 2013 não é a mesma de 2021, o produto precisa ser remodelado. É nisso que a PlayKids está trabalhando desde o fim do ano passado. Novidades como área de controle dos pais sobre o tempo de tela e interação no app, além do investimento B2B nas escolas são metas para este ano. 

“O nosso grande objetivo hoje é fazer uma transformação de produto. A gente tem alguns grandes lançamentos a partir de julho deste ano para ter um produto mais interativo, mais lúdico, que convide para o offline. A gente entende e segue as regras da ciência sobre tempo de tela, sabemos que o app pode ser um grande auxílio para essas famílias, mas com certos limites.”