avião da Flybondi
Foto: Divulgação

Flybondi lidera e consolida modelo low cost na Argentina

Empresa fundada por executivo suíço do setor da aviação já transportou 2 milhões de passageiros e tem quase 10% de participação no mercado doméstico

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O voo FO5432 que decolou pouco depois das 15 horas do aeroporto de Córdoba para Puerto Iguazú no dia 26 de janeiro de 2018 pode ser cunhado de histórico. Mais que a estreia da Flybondi, foi o primeiro voo de uma companhia aérea low cost na Argentina, um país que por décadas viu sua aviação comercial ser dominada pela empresa estatal Aerolíneas Argentinas e que não tinha opções para voar a preços acessíveis.

Sob o lema “A liberdade de voar”, frase que está estampada na fuselagem dos cinco aviões Boeing 737-800 da companhia, a Flybondi ultrapassou em menos de dois anos a marca de 2 milhões de passageiros transportados, sendo que quase 300 mil deles viajaram pela primeira vez de avião. Números que colocam a companhia como a terceira maior do país, com uma participação no mercado doméstico de 9%, atrás apenas de Aerolíneas Argentinas e Latam.

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A velocidade com que tudo ocorreu tem a ver com a desregulamentação no setor da aviação no país, que permitiu a entrada de novas companhias aéreas e acabou com o piso tarifário, mas também com o apetite do idealizador da Flybondi: Julian Cook. O suíço, que fundou a Flybaboo em 2003 e foi diretor da empresa de leasing AviaSolutions/GE Capital Aviation Services, desembarcou no país portenho em 2016 ao lado de figuras conhecidas no mercado da aviação, como Michael Cawley, ex-Ryanair, e Mike Powell, ex-WizzAir. No bolso, US$ 75 milhões de investimentos iniciais, vindos principalmente dos grupos Cartesian Capital Group LLC e Yamasa Co. Limited.

O modelo da companhia segue o que sugere o manual das low-costs: estrutura enxuta, frota padronizada com máxima capacidade, rotas sem conexões e otimização no tempo de escala, serviços extras ao passageiro pagos, operação em aeroportos secundários.

Os resultados continuam mostrando a tendência de crescimento, que demonstra que o modelo de negócio tem êxito

Sebástian pereira, CEO da Flybondi.
Sebástian Pereira, CEO da Flybondi
Sebástian Pereira, CEO da Flybondi. Foto: Flybondi/Divulgação

Sebástian Pereira assumiu o cargo de CEO em fevereiro deste ano no lugar de Cook, que passou à vice-presidência do conselho da empresa. Ele conversou com o LABS em novembro.

Uma das inovações da Flybondi no mercado argentino é ligar cidades sem a necessidade de conexão em centros maiores, como Buenos Aires. Assim, é possível voar diretamente de Tucumán a Rosario ou de Mendoza a Puerto Iguazú. Como consequência, a empresa tem conquistado o passageiro voltado para o turismo e que antes apenas viajava de ônibus, e também as menores cidades que procuram expandir-se como destinos turísticos. Hoje, opera em 14 cidades argentinas.

“Temos um compromisso a longo prazo com o nosso país, por isso apostamos em seguir gerando conectividade, oportunidade e acessibilidade para milhares de pessoas. A conectividade aérea pode ser aliada das províncias, já que movimenta muitas atividades que contribuem para as economias regionais e para a geração de empregos”, diz Pereira.

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A partir de El Palomar

Desde antes de começar a voar, a Flybondi queria fugir do principal aeroporto doméstico de Buenos Aires, o Aeroparque. Por mais que tivesse a facilidade de estar próximo ao centro, o custo de operação seria muito alto para uma companhia low cost, sem contar que não teria agilidade e flexibilidade que planejava para seus voos a partir da capital argentina. A alternativa que se apresentou foi El Palomar, aeroporto situado a 14 quilômetros do centro de Buenos Aires, e que funcionava apenas como uma base aérea militar e que, em alguns momentos, havia recebido voos comerciais em decorrência de obras no Aeroparque.

Com o apoio do governo argentino, que investiu na melhoria da pista e dos pátios e na construção de um terminal de passageiros, a Flybondi pôde transformar o aeroporto em seu principal reduto. No pequeno edifício há o necessário: posições de check-in, sala de embarque, áreas de imigração para voos internacionais e de restituição de bagagem. Nada de ponte de embarque. Do terminal, o passageiro vai direto para a porta do avião. Mais rápido e mais barato.

“[El Palomar] é a primeira casa da Flybondi, onde começamos a conectar a Argentina e é o nosso principal aeroporto. Para nós, ele é muito importante”, resume Sebastián Pereira. De El Palomar partem, em média, 12 voos diários da companhia para 11 destinos domésticos e internacionais. Só não partem mais voos do aeroporto por decisão da Justiça, que proibiu decolagens e pousos entre as 22 horas e 7 horas, atendendo a uma ação de moradores que vivem próximos ao terminal.

Com isso, a Flybondi precisou ajustar a malha de rotas e reduzir o uso das aeronaves, o que vai contra um dos pilares das empresas low-cost, que é estar voando sempre, a toda hora.

“É preciso entender que a magnitude dessa decisão é nacional. É uma decisão baseada no direito ao descanso de um vizinho apenas em detrimento ao direito de trabalhar, de poder transportar a baixo custo e, inclusive, melhorar a qualidade de vida de milhares de pessoas”, critica o CEO da Flybondi.

“O mais preocupante é que afeta diretamente milhares de trabalhadores e põe em risco a sustentabilidade do negócio da companhia”, acrescenta Pereira, que tem o governo argentino ao seu lado para reverter a medida.

Para o Brasil

Enquanto aguarda os desdobramentos sobre El Palomar, a Flybondi aproveita para expandir suas rotas, mirando agora o mercado internacional. Depois de Assunção no Paraguai e Punta del Este no Uruguai, o destino da vez é o Brasil. Em outubro, a empresa estreou no país com o voo ligando Buenos Aires e Rio de Janeiro, e em dezembro vai ligar a capital argentina a Florianópolis. Rapidamente a avaliação de demanda foi positiva que a empresa aumentou o número de voos semanais de três para quatro, em ambas as rotas.

Além disso, anunciou no fim de outubro que vai iniciar em março de 2020 voos entre a capital argentina e o aeroporto de Guarulhos, em São Paulo.

Temos muitas expectativas para esse novo mercado, não só pelo seu tamanho e características, mas por nos tornarmos uma alternativa de baixo custo para todos os argentinos e brasileiros

Sebastián Pereira, CEO da Flybondi.

Na distribuição de rotas realizada pelo governo em 2017, a Flybondi requereu e conseguiu a autorização para operar para 13 destinos no Brasil, tais como Belo Horizonte, Brasília, Fortaleza, Salvador, Recife, Curitiba e Porto Alegre, além dos que já opera e ou que confirmou data de início.

Raio-X da Flybondi:

Frota – 5 aeronaves

  • 5 Boeing 737-800

Destinos – Total: 17

  • 14 na Argentina
  • 1 no Brasil (+2 a iniciar)
  • 1 no Paraguai
  • 1 no Uruguai