2021, o ano do bitcoin
Foto: REUTERS/Dado Ruvic/Illustration
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Do bitcoin às memecoins como doge e shiba inu, 2021 foi um ano insano para as criptomoedas

Bitcoin cotado a quase US$ 70 mil, "memecoins" (sim, isso mesmo) valendo bilhões de dólares: 2021 foi, pelo menos até agora, o ano mais insano para as criptomoedas

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Bitcoin cotado a quase US$ 70 mil, “memecoins” (sim, isso mesmo) valendo bilhões de dólares, o espetacular IPO da Coinbase na bolsa norte-americana e uma onda de repressão chinesa: 2021 foi, pelo menos até agora, o ano mais insano para as criptomoedas, mesmo considerando os padrões já voláteis do setor.

Os ativos digitais começaram o ano com uma enxurrada de dinheiro de investidores grandes e pequenos. Ao longo de 2021, o bitcoin e suas moedas-parentes raramente estiveram longe dos holofotes e chegamos ao fim do ano com expressões do “vernáculo cripto” enraizadas no léxico do investidor.

Listamos as principais tendências que dominaram a narrativa das criptomoedas nesse ano:

1. Bitcoin ainda é o número 1

A “criptomoeda original”, o bitcoin é a maior e mais conhecida moeda digital, embora já comece a enfrentar outros grandes concorrentes.

O bitcoin viu seu valor crescer mais de 120% desde 1º de janeiro, chegando a um valor recorde de quase US$ 65 mil em meados de abril. O combustível dessa disparada foi um tsunami de dinheiro injetado por investidores institucionais, a aceitação crescente da moeda por parte de grandes corporações, como Tesla e Mastercard, bem como dos bancos de Wall Street.

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O interesse dos investidores era pela suposta qualidade do bitcoin, uma moeda digital à prova de inflação – a oferta do ativo é limitada –, ao passo que os pacotes de estímulo à economia alimentaram o aumento dos preços em todo o globo. A promessa de ganhos rápidos em meio a taxas de juros baixas e o acesso facilitado através de uma infraestrutura de rápido desenvolvimento, também atraíram compradores.

Episódio emblemático de como o bitcoin foi bem recebido pelo mercado foi o IPO da Coinbase nos Estados Unidos, em abril, no valor de US$ 86 bilhões, o maior já realizado por uma plataforma de criptomoedas.

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No entanto, o ativo continuou volátil. O bitcoin viu seu valor despencar 35% em maio, antes de subir para um novo recorde histórico de US$ 69 mil em novembro, quando a inflação atingiu com tudo Europa e Estados Unidos.

Apesar disso, há quem permaneça cético em relação ao bitcoin, como é o caso de Jamie Dimon, chefe do JPMorgan, que já afirmou que a criptomoeda é “ouro de tolo”.

2. A ascensão das memecoins

Ainda que o bitcoin tenha atraído a maior parte dos investidores e das atenções do mercado, uma profusão de novas criptomoedas surgiu – algumas, inclusive, que alguns diriam ser mais uma piada do que uma moeda digital. Difícil imaginar que as criptomoedas passariam incólumes pela “era dos memes”.

As “Memecoins” – grupo de moedas que engloba criptos como o dogecoin e o shiba inu e tem suas raízes na cultura da internet – muitas vezes têm pouco uso prático. Ainda assim, não deixam de fazer algum barulho.

Símbolo da memecoin Shiba inu. Imagem: Instagram


O dogecoin, lançado em 2013 como um spinoff do bitcoin, subiu mais de 12.000% e chegou a um máximo histórico em maio, antes de cair quase 80% em meados de dezembro. O shiba inu, que faz referência à mesma raça de cães japoneses que a dogecoin, esteve brevemente na lista das 10 maiores moedas digitais.

O fenômeno das memecoins está ligado ao movimento chamado de “Wall Street Bets”, em que os investidores – muitas vezes trancados em casa durante os lockdowns devido à pandemia, com dinheiro de reserva em mãos – se voltaram para o mercado de criptomoedas, à despeito dos avisos emitidos por órgãos reguladores sobre a volatividade dos ativos.

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“É tudo sobre a movimentação das finanças”, disse Joseph Edwards, da Enigma Securities. “Embora ativos como doge e shiba inu podem ser puramente especulativos, o dinheiro que entra neles está vindo de um instinto de ‘por que eu não deveria ganhar com meu dinheiro?””

3. Regulamentação: o (grande) elefante branco na sala

À medida que o dinheiro foi sendo depositado em criptomoedas, os órgãos reguladores passaram a se preocupar com o que viram como o potencial dos ativos digitais para permitir a lavagem de dinheiro e ameaçar a estabilidade financeira global.

Céticos em relação às criptomoedas – uma tecnologia “rebelde”, inventada para minar as finanças tradicionais, diz-se –, os reguladores têm solicitado para si mais poder sobre o setor, alertando frequentemente os consumidores sobre a volatividade das moedas digitais.

Quando Pequim, em maio, impôs restrições às criptomoedas, o bitcoin afundou quase 50%, arrastando com ele todo o mercado.

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4. Non-fungible tokens (NFTs)

Ao passo que a compra e venda de memecoins se tornou viral, outro ativo digital do complexo universo cripto começou a chamar a atenção e explodiu em 2021 – a ponto de ser escolhido como a palavra do ano pelo grupo dono do dicionário Collins: o NFT.

A sigla “Non-fungible tokens”, conforme definição do Collins, diz respeito a “um certificado digital único, registrado em um blockchain, que é usado para registrar a propriedade de um ativo como uma obra de arte ou um colecionável”.

NFT o que é
Primeira exposição de NFTs na galeria de arte Sotheby’s, em New York; junho de 2021. Foto: John Angelillo/UPI/Shutterstock

Em março, um trabalho de arte digital do artista americano Beeple foi vendido por quase US$ 70 milhões na Christie’s, estando entre as três peças mais caras de um artista vivo vendidas em leilão. A venda marcou o início de uma corrida por NFTs. As vendas de NFTs no terceiro trimestre atingiram US$ 10,7 bilhões, mais de oito vezes o volume dos três meses anteriores.

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As moedas digitais e a popularidade dos NFTs também podem estar ligadas a um declínio na mobilidade social, disse John Egan, CEO da empresa de pesquisa L’Atelier, da BNP Paribas, com pessoas mais jovens atraídas por seu potencial de ganhos rápidos, já que o aumento dos preços coloca ativos tradicionais fora de alcance.

Embora algumas das principais marcas mundiais, da Coca-Cola à Burberry, tenham vendido NFTs, a regulamentação ainda muito recente deixou os maiores investidores afastados.

“Não vejo uma situação em que as instituições financeiras licenciadas estejam negociando ativa e agressivamente (estes) ativos digitais nos próximos três anos”, disse Egan.

(Traduzido por LABS)