Negócios

Apostando na ascensão global do live commerce, Yan Di, ex-AliExpress, apresenta sua Mobocity

Em abril, o chinês Yan Di deixou o posto de country manager do AliExpress no Brasil para se dedicar ao cargo de CEO da Mobocity, empresa focada na produção e transmissão de live streamings cofundada ao lado de Zhang Zhen. A dupla quer competir por uma fatia do mercado de social commerce, um modelo de negócios nascido na China em as compras são feitas pela interface apps de mídia social e os produtos são oferecidos em transmissões ao vivo que permitem a interação com consumidores em tempo real. 

A aposta da Mobocity tem lastro: o social commerce tem avançado a passos largos no mundo todo. Relatório da Accenture prevê que o social commerce crescerá três vezes mais rápidio do que o e-commerce tradicional, passando de US$ 492 bilhões no mundo inteiro em 2021 para US$ 1,2 trilhão em 2025. 

Zhang Zhen e Yan Di, cofundadores da Mobocity. Foto: Divulgação


De olho nesse mercado crescente e com a certeza de qua a onda vai bater forte no Brasil – até 2025, espera-se que o mercado de e-commerce da maior economia da América Latina mantenha um crescimento constante de 30% ao ano, segundo o estudo Beyond Borders, e por aí já se vê o enorme potencial para a ascensão do social commerce –, Di e Zhen querem desenvolveram uma solução completa para a gestão de projetos de live commerce de marcas, desde a transmissão até a operação logística, como geração de tráfego, parceria com influenciadores e seleção de produtos com maior aderência ao público do novo modelo.

“Durante um tempo, as lives e os vídeos curtos foram vistos como formatos secundários de conteúdo. Mas isso mudou. Hoje, na China, 20% das vendas acontecem por meio do live commerce, o consumidor chinês assiste live para consumir. Em cinco anos, esse tipo de conteúdo será consumido massivamente em todo o mundo. No entanto, o live commerce é um produto complexo, já que tudo ocorre em tempo real, inclusive os números de engajamento e conversão. A Mobocity quer resolver esse gargalo”, disse Di.

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O portfólio da Mobocity conta com quatro produtos desenvolvidos in-house para marcas que queiram impulsionar suas vendas por meio de lives. O LiveHub permite não apenas a produção e transmissão dos vídeos, mas também a gestão e engajamento de múltiplas sessões ao vivo em diferentes redes sociais simultaneamente. Já o AutoTrade é um marketplace para conectar anunciantes e microinfluenciadores, um perfil de influenciadores com taxas de engajamento e conversão geralmente mais altas do que a média. 

Há ainda uma plataforma LaaS (Live as a Service), que cria soluções white label de lives e, por fim, o LiveAnalytics, uma plataforma de análise de dados em tempo real para otimizar a performance das transmissões. “O ativo mais escasso hoje no mercado é a análise de dados. E assim a performance das lives fica estagnada, não converte em vendas. Na Mobocity, desenvolvemos um sistema analítico de lives em tempo real”, explicou Di.

A Mobocity não é novata no mercado, a startup já opera bootstrap (sem rodadas de investimento) há cinco anos com ritmo consistente de crescimento, segundo números apresentados por Di, atingindo receita de US$ 6 milhões no ano passado e com previsão de faturar entre US$ 15 e 20 milhões em 2022.

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Com pouco mais de uma centena de funcionários espalhados pela América Latina, Europa, Estados Unidos e China, a Mobocity atende clientes como a Bytedance (dona do TikTok), Kwai, Tencent, Amazon, AliExpress, ClickBus, Alice e ISDIN, entre outros, e realiza mais de 500 sessões de live por mês. De acordo com Di, a startup detém o recorde de vendas via live streaming fora da China: US$ 500 mil em menos de uma hora. 

O mundo está mudando e vai pertencer às lives e vídeos curtos, que reduzem consideravelmente a barreira de entrada de participação do usuário, aumentam muito a taxa de engajamento e conversão dos negócios. Todos os modelos de negócios que conhecemos serão reconstruídos em cima disso.

Yan Di, CEO e cofundador da Mobocity

Tendências

Diante do crescimento do social commerce fora da China, onde o WeChat lidera o mercado, as grandes redes sociais começaram a adaptar seus negócios e a lançar soluções de social commerce para suas plataformas, a exemplo do Facebook e seu Facebook Shops e do Instagram e seu Instagram e seu “botão de compras”. 

De acordo com relatório do eMarketer/Insider Intelligence, o Facebook é a principal plataforma de social commerce fora da China, com 56,1 milhões de compradores em 2021 apenas nos Estados Unidos. O Instagram está em segundo lugar, com 32,4 milhões, seguido pelo Pinterest, com 13,9 milhões.

This post was last modified on maio 27, 2022 6:44 pm

Carolina Pompeo

Is a writer and editor for LABS. After graduating from Universidade Federal de Santa Catarina, she has worked as a reporter for newspaper, producer for television and PR. At LABS, she writes about how Latin America can be a good place for innovation and business.

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Carolina Pompeo

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