A diretora da Arezzo&Co Aline Penna ao lado da Luanna Toniolo CEO da TROC e Alexandre Birman, CEO da Arezzo&Co. Foto: Lu Prezia/Divulgação
Negócios

Arezzo&Co adquire startup curitibana TROC e entra no mercado bilionário de roupas de segunda mão

Com a aquisição de 75% da startup curitibana, o grupo, que reúne 13 marcas de luxo, também estreia no mundo do corporate venture capital

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O Arezzo&Co, grupo que reúne as marcas Arezzo, Schutz, Anacapri, Alexandre Birman, Fiever, Alme e Vans, anunciou nesta sexta-feira a aquisição de de 75% da startup curitibana TROC e sua entrada no mercado bilionário das peças de segunda mão. A compra do brechó online também marca o lançamento do ZZ Ventures, o braço de corporate venture capital, ou seja, de investimento em startups, de um dos maiores grupos de moda da América Latina. O mapeamento das próximas startups e scale-ups a receberem investimento do Arezzo&Co contará com o apoio da Endeavor, rede global formada pelos empreendedores e empreendedoras que mais crescem no mundo.

A TROC foi fundada em 2017 na capital paranaense – casa também do LABS – pela empresária Luanna Toniolo. O que nasceu como um brechó online com pouco mais de 5 mil peças em estoque, em uma sala comercial de 20 metros quadrados, hoje é uma plataforma com mais de 40 mil peças que funciona em um barracão de 1 mil metros quadrados. E o modelo de negócio centrado na conexão de vendedores e compradores das classes AB interessados em adquirir peças de moda de luxo por até 30% do valor original, cresceu para oferecer o mesmo serviço a grandes marcas. Foi assim, inclusive, que a TROC trilhou o caminho – em poucas semanas – até à aquisição do Arezzo&Co.

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“À medida que a gente foi desenvolvendo o nosso negócio, para que ele fosse escalável, a gente começou a entender que com essa escabilidade, com o nosso know how de mercado e com o nosso público que a gente poderia ser uma ferramenta para prestar um serviço de logística reversa para as grandes marcas. Quer dizer, o que a gente fazia para pessoas físicas passamos a fazer também para as empresas para que elas pudessem pensar no pós-consumo, fazendo acontecer a economia circular”, contou Toniolo em entrevista ao LABS.

Luanna Toniolo no barracão onde a TROC funciona, em Curitiba. Foto: Divulgação.

Em julho, a TROC começou a prestar esse serviço para a Reserva – grupo que reúne quatro marcas e é investidor minoritário da TROC. Em outubro, a TROC também começou a prestar o mesmo serviço para a Arezzo&Co – que anunciou a compra da Reserva por R$ 715 milhões naquele mesmo mês.

Depois de concluída a aquisição da TROC – o que ainda depende de aprovação do Cade – a startup venderá seus produtos de segunda mão no marketplace recém-lançado pela Arezzo&Co, o ZZ Mall, que reúne as 13 marcas do grupo (já contando Reserva) e outras 30 marcas parceiras, como Vivara, TVZ e mOb, entre outras.

“Nós começamos a parceria (da marca Arezzo) com a TROC há algumas semanas, e como a gente estava negociando a aquisição e tinham vários outros players olhando também para a startup a gente não quis chamar a atenção para essa parceria. Mas os números que nós já tivemos confirmam o potencial que a TROC tem: foram mais de 30 mil acessos buscando a solução de revenda da TROC, e a Luanna (Toniolo) já recebeu mais de 5 mil peças da Arezzo”, contou a diretora de Estratégia, M&A e Relações com Investidores da Arezzo&Co, Aline Penna, ao LABS.

Com a aquisição e integração da TROC com o ZZ Mall, a startup curitibana passará a ter acesso a uma base de clientes 40 vezes maior do que possui hoje. Ao todo, Penna explica que as marcas do grupo têm cerca 10 milhões clientes cadastrados, sendo 4 milhões extremamente fiéis.

“É algo que vai atender tanto as clientes da TROC, que querem ter peças de marcas famosas, mas não têm condições de comprar essas peças pelo preço cheio, quanto as nossas clientes, que também vão poder monetizar as peças usadas e virarem eventualmente ‘sellers’ da TROC”, diz Penna.

A diretora da Arezzo&Co também lembra que há uma série de possibilidades para serem exploradas além do marketplace online. “Nós podemos fazer parcerias com as marcas do ZZ Mall para que elas também tenham, por exemplo, pontos físicos de coleta de peças para a TROC. Podemos também repassar peças de coleções antigas das nossas próprias marcas e amostras de produtos que a gente tem, que a gente usa em showrooms dos nossos franqueados e que a gente não revende porque são peças manipuladas, para a TROC”.

A Arezzo&Co não fala em valores da transação, mas em teleconferência com investidores, a companhia disse que as vendas da TROC “estão abaixo dos R$ 10 milhões”. A Arezzo&Co adquiriu o que pertencia a investidores pessoais e fundos de venture capital como o Honey Island – fundo dos fundadores do EBANX, dono do LABS. A fatia da Reserva, recém-comprada pela Arezzo&Co, permanece em 8%.

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Algoritmos para precificar e calcular a vendabilidade das roupas

De 2017 para cá, a TROC passou de 20 para 45 funcionários. Como uma startup, a ideia é que esse número cresça no mínimo cinco vezes nos próximos anos. A análise das peças que chegam para ser revendidas a grande missão de boa parte dessa equipe. A outra parte está focada no desenvolvimento tecnológico da plataforma, que, como Toniolo lembra, tem possibilidade de crescer para a direção que for necessária e já conta com uma série de processos automatizados.

“Com estudos a gente conseguiu otimizar esse recebimento de peças, além do investimento em tecnologia. Temos algoritmos que fazem a precificação das peças e também indicam a vendabilidade delas. Embora não seja um estoque comprado, a gente hoje opta por ter peças que a gente sabe que vão ser vendidas rapidamente”, conta a empreendedora, que ressalta que, mesmo com a aquisição pela Arezzo&Co e o grande crescimento que pode vir a partir disso, a TROC continuará com sede em Curitiba.

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Varejo e tecnologia: o primeiro foco do braço de corporate venture da Arezzo&Co

Na prática, a parceria fechada com a Endeavor para a seleção e aceleração de startups e scale-ups para o ZZ Ventures, o braço de corporate venture capital lançado também nesta sexta-feira pela Arezzo&Co, começa em janeiro. Mas foco para esse primeiro ano de atividades desse novo braço já definido, segundo Penna: varejo (novos conceitos, principalmente) e tecnologias para varejo.

“A gente não necessariamente vai comprar as startups. O caso da TROC era específico porque já tinha sinergia entre a Arezzo e a TROC. Mas em alguns casos a gente pode acelerar, fazer mentoria, ajudar no desenvolvimento do MVP (produto mínimo viável) e depois investir”, explica a diretora.

O conselho da Arezzo&Co aprovou R$ 30 milhões para o primeiro ano do ZZ Ventures, mas, na prática, esse valor pode ser até maior.