Banco Inter, Brasil
Foto: Divulgação/Inter
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Banco Inter fecha acordo para comprar fintech USEND nos EUA

Com a aquisição, o Inter planeja iniciar suas atividades financeiras nos EUA, onde, até o momento, está presente apenas com a Inter Shop

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O Inter (ex-Banco Inter) anunciou nesta sexta-feira que firmou acordo para a aquisição da fintech norte-americana USEND, que atua no mercado de câmbio e de serviços financeiros, incluindo remessas de dinheiro entre países.

Com a aquisição, se concretizada, o Inter planeja iniciar suas atividades financeiras nos EUA, ampliando a oferta de produtos financeiros e não financeiros os residentes norte-americanos e clientes no Brasil, integrando os serviços da fintech à sua plataforma.

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O fechamento da operação está sujeito à finalização dos respectivos instrumentos definitivos e outras condições, incluindo aprovações regulatórias. O banco não informou o valor da transação.

De acordo com o banco digital brasileiro, a USEND possui licenças para atuação como ‘Money Transmitter’ em mais de 40 estados norte-americanos e tem uma base de mais de 150 mil clientes.

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Os principais executivos, liderados pelo fundador e presidente-executivo da USEND, seguirão à frente da operação norte-americana, à frente do processo de integração, bem como da “expansão para mercados adjacentes como os de crédito e corretagem de valores, que estão nos planos do Inter para o território americano”.

Embora a maioria dos clientes do USEND sejam brasileiros que vivem nos EUA, o presidente-executivo do Inter, João Vitor Menin, disse, que a empresa terá como alvo um público amplo para competir com Chime Financial e SoFi Technologies.

“Acho que há espaço para mais competição bancária nos EUA, com fintechs atraindo clientes de bancos tradicionais”, disse Menin à Reuters.

O Inter também busca aquisições na Europa e na América Latina, porém ter ativos menores como fintechs, que operam com licença bancária simplificada.

Os principais executivos, incluindo o fundador e presidente-executivo da USEND, seguirão à frente à frente do processo de integração nos EUA, bem como da “expansão para mercados adjacentes como os de crédito e corretagem de valores, que estão nos planos do Inter para o território americano”.

Por volta de 14:35, as units do Banco Inter subiam 6%, a 71,18 reais, segunda maior alta do Ibovespa, que mostrava acréscimo de 1,35%.

Na visão do analista da Guide Investimentos Luis Sales, a aquisição é um importante passo para o Inter e deve gerar importantes sinergias.

Ganhando mercados internacionais com o Inter Shop

No final de junho, o Inter reportou 12 milhões de clientes, um crescimento de 18% sobre o trimestre anterior e o dobro do que tinha no mesmo mês no ano passado.

Entre abril e junho, a empresa conquistou 1,9 milhão de contas, abrindo cerca de 30 mil por dia útil. Mas mais do que contas, o que importa para o Inter é crescer em recorrência e TPV, ou seja, fazer esses 12 milhões de clientes efetivamente usarem o app no dia a dia.

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É aí que entra outro braço importante da empresa: a Inter Shop, o marketplace do Inter. Segundo a empresa, R$ 774 milhões foram transacionados no marketplace, um crescimento de 531% sobre igual período do ano passado.

A quantidade de vendas realizadas pela Inter Shop também cresceu, ou melhor, triplicou, para 5,2 milhões. No segundo trimestre, a empresa conseguiu atrair 423 mil de seus usuários para a Inter Shop. Ao todo, o marketplace do Inter já tem 2,1 milhões de clientes ativos.

A Inter Shop é não só a maior aposta da empresa para deixar o termo “banco” para trás, como também para ganhar mercados internacionais. A última operação a ser lançada pela companhia no Brasil, foi também a primeira escolhida para levar a bandeira do Inter mundo afora. No final de março, a plataforma do Inter Shop chegou aos Estados Unidos.

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Os usuários, que assim como no e-commerce brasileiro não precisam ser correntistas do Inter para comprar na plataforma, já têm acesso a marcas como Macy’sBest BuyWish e AliExpress. O cashback oriundo das compras é depositado pelo Inter, em dólar, na conta de qualquer banco em território americano.

Com passagens por empresas de tecnologia como TOTVSStefanini e UOL Host, a executiva Silvia Blas é quem vai acompanhar a empreitada do Inter em solo americano.