E-commerce na América Latina terá crescimento de 37% em 2021, aponta estudo do EBANX
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E-commerce na América Latina terá crescimento de 37% em 2021, aponta estudo do EBANX

Relatório Beyond Borders 2021/2022, mostra que o celular se transformou no grande vetor do e-commerce na região, enquanto o PIX e as carteiras digitais se consolidaram como os métodos preferidos de pagamento

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O e-commerce deve registrar um crescimento de 37% na América Latina até o fim deste ano, consolidando a região como um dos maiores mercados de comércio eletrônico do mundo. Até 2025, espera-se que as duas maiores economias latino-americanas, o Brasil e o México, mantenham um crescimento constante de 30% ao ano, enquanto economias emergentes digitalmente, como Bolívia, Guatemala e Peru, podem acelerar ainda mais, com crescimento superior a 40% por ano. Os dados são do estudo Beyond Borders 2021/2022, publicado anualmente pelo EBANX, fintech brasileira de pagamentos com atuação no mercado global que também e dona do LABS.

De acordo com a pesquisa, a disparada do e-commerce na América Latina se deve principalmente a dois fatores. Primeiro, a adesão massiva de métodos de pagamento digitais, como as carteiras digitais e, no Brasil, o PIX, que rapidamente se tornou o método de pagamento preferido dos brasileiros, ultrapassando o tradicional boleto, TED e DOC.

Segundo, o crescimento do chamado “mobile commerce”, ou compras feitas pelo celular – seja pelo aplicativo de e-commerces, seja pelas redes sociais (social commerce). A pesquisa aponta que até o fim desse ano, quase 60% do total de compras online feitas na América Latina serão pagas pelo celular. 

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“O aumento dos pagamentos em tempo real como PIX e carteiras digitais está transformando a relação dos latino-americanos com o comércio digital e criando uma corrida em termos de melhores experiências de compra, ampliação das opções de pagamento e até mesmo impactando a proeza logística e a inovação financeira”, diz João Del Valle, co-fundador e CEO da EBANX. Em outras palavras: mais fácil de pagar, mais fácil de comprar. 

PIX, um ecossistema de pagamentos para toda a América Latina?

Lançado há um ano, o PIX já tem mais de 112,6 milhões de usuários (dos quais 105,2 milhões de usuários são pessoas físicas, enquanto outros 7,4 milhões representam pessoas jurídicas) e 348 milhões de chaves cadastradas até o fim de outubro, de acordo com dados do Banco Central. Desde que foi lançado, o PIX já movimentou R$ 3,9 trilhões

Quando se olha para a presença do PIX nas transações de e-commerce, os números são igualmente impressionantes: segundo dados compilados pela Beyond Borders, o PIX deverá movimentar cerca de US$ 9,5 bilhões em pagamentos on-line em 2021, o equivalente a 6% de todo o volume de e-commerce no Brasil durante o ano. A estimativa é que o volume de compras online pagas com PIX cresça a uma taxa de 95% até 2024, com o PIX podendo abocanhar pelo menos 9% do volume total de e-commerce brasileiro. 

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Esses números colocam o PIX como forte candidato a se tornar um ecossistema de pagamentos instantâneos transfronteiriços para toda a América Latina, diz o estudo. 

“O PIX, não apenas na América Latina, mas em todo o mundo, tem sido visto como um desses casos de sucesso tanto de uma perspectiva de engajamento e aceitação quanto de inclusão financeira, adoção do comércio on-line e substituição do dinheiro”, diz Jan Smith, sócio da KoreFusion, uma empresa de consultoria estratégica e consultoria em fusões e aquisições especializada em pagamentos e serviços financeiros. 

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Para Smith, uma das grandes razões do sucesso do PIX é o fato de o sistema ter conquistado primeiro as transações P2P (peer-to-peer, ou de indivíduo para indivíduo) para, em seguida, conquistar a confiança dos usuários para o pagamento de contas, compras no e-commerce e outros. Mas a experiência brasileira ensina ainda outras lições: a importância de um roteiro de lançamento de novas funcionalidades, a oferta de um grau de interoperabilidade e a abertura para feedback. 

“Na África, quando as carteiras digitais chegaram, elas tinham o mesmo propósito que o PIX: começar com pagamentos P2P, passando depois para pagamentos de contas, pagamentos on-line, e então empréstimos, cashback, etc. O PIX pode ser tudo isso”, diz Smith.

O PIX está enviando uma mensagem muito boa aos órgãos reguladores de toda a América Latina, servindo como referência para que outras experiências de pagamento em tempo real surjam na região.

André Allain, vice-presidente de crescimento do EBANX 

Métodos alternativos de pagamento conquistam usuários

Apesar do avanço meteórico do PIX, o método é, ainda, uma exclusividade do Brasil, de modo que, entre os métodos alternativos de pagamento em ascensão no e-commerce, as carteiras digitais já respondem por 11% de todas as transações online na América Latina. A popularização das e-wallets tem a ver, também, com uma espécie de migração do comprador, que passou do computador para o celular. 

“A experiência móvel intrínseca oferecida pelas carteiras eletrônicas está ganhando força ao lado da alta penetração do smartphone na América Latina. Em muitos países da região, há mais adultos que têm um smartphone do que uma conta bancária, convertendo estes dispositivos móveis em um instrumento fundamental para a digitalização e inclusão financeira”, explica Juliana Etcheverry, diretora de Parcerias Estratégicas de Pagamentos e Expansão de Mercado na América Latina da EBANX.

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América Latina no centro da disputa de players globais e locais

Com esse cenário de hipercrescimento, a América Latina se converteu em região-chave para o crescimento sustentável de empresas globais, que começam a se deparar com a saturação dos mercados norte-americano e europeu. De acordo com a pesquisa, gigantes do e-commerce local, como Mercado Livre, Americanas e Casas Bahia, começam a enfrentar uma concorrência pesada também com players globais como Amazon, AliExpress e Shopee

“É um cenário intrigante para o e-commerce na América Latina. É um mercado que agora está totalmente aberto para quem proporcionar a melhor experiência de compra, sejam players locais ou globais, nacionais ou internacionais”, diz Del Valle.

Acesse a pesquisa Beyond Borders 2021/2022 na íntegra aqui