Dileep Thazhmon, CEO e cofundador da Jeeves. Foto: Divulgação.
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Jeeves desembarca no Brasil com lista de espera de mais de 3 mil empresas

Lançada há um ano, a startup e gestão de despesas e crédito baseado em receita alcançou status de unicórnio há duas semanas, após uma Série C de US$ 180 mi liderada pela Tencent. Segundo o CEO, Dileep Thazhmon, a maior economia da América Latina será, sozinha, a quarta região de operação da startup

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Global desde criancinha, a Jeeves, uma startup sem sede fixa que oferece soluções de gestão e financiamento baseado em receita para empresas de rápido crescimento, anuncia nesta terça-feira (22) sua chegada ao Brasil. O CEO e cofundador da Jeeves, Dileep Thazhmon, disse ao LABS que a maior economia da América Latina já é a quarta região de operação da startup, lançada há exatamente um ano. A chegada ao Brasil já era destino certo para a startup, mas uma rodada Série C de US$ 180 milhões liderada pela Tencent e fechada há apenas algumas semanas acelerou esses planos e fez a Jeeves alcançar um valor estimado de mercado de US$ 2,1 bilhões (sim, um novo unicórnio).

Fundada em 2019 por Thazhmon e Sherwin Gandhi, a Jeeves foi lançada primeiro no México, em março de 2021. Os Estados e o Canadá (segunda região da startup) vieram logo depois e quase ao mesmo tempo outros países de língua espanhola na América Latina (Colômbia, Chile e Peru). Logo depois, em setembro de 2021, Reino Unido e Europa se tornaram a terceira região de atuação da Jeeves. No total, a startup já atende clientes em 24 países e quer chegar a 40 nos próximos três anos.

Está realmente tudo acontecendo rápido para Jeeves. Nos últimos 12 meses, a empresa conseguiu mais de US$ 380 milhões em investimentos.

A startup fechou sua Série A de US$ 131 milhões em maio de 2021. A rodada foi liderada pela Andreessen Horowitz (a16z) – fundo do qual a Jeeves também “roubou” o agora head de growth da startup, Matthieu Hafemeister, ex-sócio da a16z. Essa rodada também incluiu o YC Continuity Fund, a Jaguar Ventures, o Urban Innovation Fund, Uncorrelated Ventures, Clocktower VenturesStanford University, 9 Yards Capital e BlockFi Ventures.

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Meses depois, no fim de agosto, a Jeeves levantou a Série B, de US$ 57 milhões, liderada pela CRV, atingindo uma avaliação de US$ 500 milhões. A rodada foi seguida por novos investidores, como Tencent, Silicon Valley Bank, The Chainsmokers, entre outros, fundadores de oito unicórnios latino-americanos, incluindo Adolfo Babatz (CEO, Clip), Gabriel Braga (CEO, QuintoAndar), Pierpaolo Barbieri (CEO, Ualá) e muitos outros fundadores de startups na região.

Além dos investidores anteriores, esta última rodada da Série C também foi acompanhada por family offices ligados a fundadores das FAANG (Facebook, Apple, Amazon, Netflix e Google) e Carlo Enrico, presidente da Mastercard para América Latina e Caribe.

Mas o que a Jeeves tem que atraiu tanta gente?

O portfólio da Jeeves é composto, basicamente, por quatro produtos: o cartão corporativo, porta de entrada da startup; pagamentos entre empresas (B2B), já que para qualquer pagamento sem cartão, a Jeeves oferece uma solução rápida local, via ACH nos EUA, SPEI no México e (em breve) PIX no Brasil; empréstimos para capital de giro, com prazos de 30 a 90 dias; e, por fim, uma espécie de financiamento baseado em receita (a Jeeves analisa a entradas da empresa por um período, projeta a saída e antecipa parte da projeção a ela).

Segundo Thazhmon, a plataforma da Jeeves é capaz de trabalhar da mesma maneira em todos os seus mercados, ajudando startups e outros tipos de empresas a movimentar dinheiro de forma econômica e inteligente, ao mesmo tempo em que dá elas acesso a crédito. É também um modelo capaz de crescer com seus clientes, que podem usar um cartão Jeeves nos EUA, pagando suas despesas em dólares, ou no México, pagando em pesos mexicanos e assim por diante.

Desde a Série B, a Jeeves dobrou sua base de clientes para mais de 3 mil empresas – mais de 1 mil delas na América Latina, ainda o maior mercado da startup – e multiplicou sua receita por dez (Thazhmon não abriu exatamente quanto para o LABS). E isso está longe de seu potencial.

Thazhmon disse que a receita da startup nos dois primeiros meses de 2022 já superou todo o ano de 2021 e que a Jeeves ultrapassou US$ 1 bilhão em volume bruto anual de transações (GTV), com um crescimento médio mensal de 76% nesta métrica.

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Além de expandir geograficamente, o que a Jeeves busca com todo esse capital é reforçar sua infraestrutura para operar com diferentes moedas, contratar profissionais qualificados e acelerar a integração de novas empresas à sua plataforma.

Thazhmon disse ao LABS que a startup está desembarcando no Brasil com uma lista de espera que já conta com 3 mil a 4 mil empresas. A Jeeves obtém cerca de um terço dos clientes na base da indicação, do boca a boca, então não é de surpreender que com tantos empreendedores da região investindo na startup, muitos também estejam ávidos para experimentá-la. Dois dos unicórnios latino-americanos, Kavak e Rappi, por exemplo, são clientes da Jeeves no México e na Colômbia e também devem ser aqui.

“As startups estão mais abertas a experimentar novos produtos, mas são apenas 35% de nossos clientes; 30% são empresas e o outro terço são empresas de médio porte”, detalhou Thazhmon.

No Brasil, a Jeeves quer lançar seu produto de entrada, o cartão, nos próximos 60-90 dias, e suas soluções de empréstimo entre 45 e 60 dias. “Queremos testar nosso produto de empréstimo até o final de abril”, enfatizou Thazhmon.

Ao pisar no maior mercado da América Latina, Jeeves também sabe que enfrentará muitos concorrentes, como a brasileira Conta Simples e a mexicana Clara, por exemplo. O que Thazhmon argumenta, no entanto, é que a maioria das concorrentes opera apenas localmente e que o grande diferencial da Jeeves é a infraestrutura própria, o que significa que a startup domina o processo de coleta e análise de dados de receita de ponta a ponta.

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“A maioria das concorrentes se conecta a um provedor local terceiro, obtém as informações de que precisa e as envia de volta para seus clientes. O que fazemos é que nosso aplicativo se conecta à nossa própria camada de infraestrutura, que, por sua vez, se conecta aos diferentes componentes da plataforma em cada local. Isso nos dá muito mais flexibilidade porque fazemos a subscrição dos empréstimos, fornecendo o capital na moeda local do cliente e as vias de pagamento de que ele precisa. Se você for uma startup brasileira, você pode usar diferentes fornecedores: um para cartões corporativos locais, um para capital de giro, um para pagamentos via PIX, etc. Mas se você expandir para o México terá de montar a mesma estrutura lá e coordenar esses seis fornecedores. Ou você pode vir para a Jeeves, e nós podemos fornecer a você essa plataforma full-stack, e você pode ir a qualquer lugar com o mesmo nível de serviço”, explicou Thazhmon. De fato, 60% dos clientes da Jeeves têm operações em mais de um país ou território.

A startup é capaz de fazer tudo isso porque mantém uma conta central nos EUA e contas operacionais locais. Assim, quando a Jeeves faz a avaliação de crédito, analisa todas as transações da empresa, incluindo a conta em dólares na qual a startup depositou suas últimas rodadas. E isso nenhum banco tradicional faz.

Ao olhar para cada cliente globalmente, a Jeeves também pode alocar crédito onde for necessário, evitando que a empresa perca dinheiro ao transferir dinheiro de um país para outro.

Assim como no México, no Brasil a Jeeves terá seu próprio BIN emissor vinculado à Mastercard e também buscará parcerias e licenças necessárias para ampliar seu portfólio.