Magalu e Jovem Nerd
Imagem: Jovem Nerd/Magazine Luiza
Negócios

Magalu, Jovem Nerd e a mágica do conteúdo no mundo dos negócios

A relevância de conteúdo autêntico na estratégia de marca de gigantes do varejo: assumir a narrativa e reter a audiência em um só ecossistema

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A compra do Jovem Nerd pelo Magazine Luiza (ou, carinhosamente, o Magalu) foi a notícia da semana na internet brasileira e levantou uma questão: o que uma empresa de varejo vai fazer com um site de cultura pop? A resposta passa pela crescente importância que conteúdo, seja ele qual for, ganhou na estratégia de negócios gigantes de varejo como Amazon e, agora, Magalu. 

Primeiro, vamos entender os movimentos mais simples. Antes de comprar o Jovem Nerd, o Magalu fez a aquisição de outros dois grandes portais de conteúdo: Steal the Look e Canaltech, referências em moda e tecnologia. Agora, com o Jovem Nerd, a empresa finca o pé de vez no mundo do conteúdo trazendo para seu time criadores de conteúdo de cultura pop importantes no país há, pelo menos, duas décadas. 

Já a Amazon, além de produzir conteúdo próprio no Prime Vídeo, incorporou a Twitch em 2014, e anos depois comprou um dos maiores jornais dos EUA, o Washington Post

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À parte a óbvia diferença de tamanho entre a plataforma brasileira e a americana, um conceito simples une os movimentos de ambas: a intenção de estar próximo não só de quem cria conteúdo, mas também do ambiente onde a mágica acontece. 

Essa estratégia vai muito além de comprar a audiência. Está muito mais perto de assumir a narrativa e o poder criativo desses negócios para expandir a venda final de produtos próprios e, ao mesmo tempo, incentivar o crescimento das recém-adquiridas para que outros públicos venham para o ecossistema da empresa-mãe.

Há alguns anos, o modelo de mídia digital estourou; nos últimos tempos o mercado de influenciadores substituiu essa frente. Todo mundo tem milhares, milhões de seguidores. Todo mundo pode ser criador de conteúdo. (Será mesmo?) A audiência e outras métricas digitais são commodities viabilizadas pelo dinheiro em anúncios, pela compra de audiência promovida por mídias sociais.

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Com isso, nada mais lógico do que construir seus próprios modelos de conteúdo – e por que não comprá-los, se possível? 

Mas, mais do que nunca, o que diferencia um criador de conteúdo do outro é, invariavelmente, a autenticidade e a compreensão das várias plataformas de distribuição. 

E o que é a união de um gigante do varejo com um criador de conteúdo de sucesso se não esse diferencial materializado?