Um streaming para chamar de seu: plataforma de OTT Netshow.me cria “Netflix para empresas"
Imagem: Netshow.me/Site
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Um streaming para chamar de seu: plataforma de OTT Netshow.me cria “Netflix para empresas"

A startup, que começou como uma plataforma de shows ao vivo, vislumbrou o potencial do mercado B2B, pivotou o negócio e saiu na frente quando a pandemia acelerou o mercado de streaming

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A trajetória da Netshow.me, startup de tecnologia de transmissão OTT (de Over-the-Top, referente a qualquer transmissão online, ao vivo ou on demand), começou quando os empreendedores Daniel Arcoverde e Rafael Belmonte vislumbraram uma oportunidade no contexto de expansão das redes 4G e de fibra óptica: uma plataforma de shows ao vivo online. Àquela altura, a proposta tinha muito mais a ver com um novo conceito de produto de entretenimento do que com tecnologia. 

Era 2013 e a ideia de show ao vivo transmitido pela internet era alto inusitado, ainda. Belmonte e Arcoverde persistiram e, nos primeiros anos, conseguiram transmitir mais de 3 mil shows pela plataforma. Quando as redes sociais começaram a apostar em ferramentas próprias de streaming, a concorrência cresceu e os empresários perceberam que não seria possível competir em pé de igualdade com players globais como Facebook, Instagram e YouTube. A solução foi pivotar o negócio

Daniel Arcoverde e Rafael Belmonte, cofundadores da Netshow.me. Foto: Divulgação


A guinada aconteceu quando os sócios receberam uma ligação de um executivo da Napster querendo saber como era para utilizar a tecnologia da Netshow.me com o branding da Napster, usando a plataforma da startup para os shows dos artistas da Napster. 

Foi nesse dia que visualizamos o potencial B2B do produto. Nosso produto até então era uma plataforma gratuita, nós só ganhávamos se o artista vendesse. Decidimos pivotar o negócio, deixamos de ser um marketplace de shows para nos tornarmos um SaaS de live streaming para empresas. Começamos uma nova Netshow.me.

DANIEL ARCOVERDE, cofundador da NETSHOW.ME

Em 2016, a dupla adequou a tecnologia e o produto para atender o mercado corporativo e passou a oferecer soluções de ponta a ponta para transmissões ao vivo, desde o software de live até a produção audiovisual profissional e link de internet dedicado. Na plataforma, as empresas clientes conseguiam transmitir eventos, kick offs de vendas, workshops e encontros remotos. Em 2019, a startup adquiriu a SignUp e adicionou ao portfólio uma solução OTT, chegando ao modelo de negócio atual.  

O timing dessa guinada foi certeiro. Em 2020, quando a pandemia antecipou tendências e acelerou o desenvolvimento de soluções para demandas até então incipientes ou mesmo inexistentes, e de repente eventos, reuniões de trabalho, aulas, cursos e shows migraram para o online, a Netshow.me saiu na frente.

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O resultado: a startup fechou 2020 com crescimento de 149% e retomou até mesmo os shows lá do início da sua história, com mais de 4 mil lives de artistas realizadas somente no ano passado. Também foi a primeira vez que a startup gerou lucro, segundo Arcoverde. A empresa não revela números absolutos da operação. 

2020 foi o ano da ruptura. Tudo o que era ‘nice to have’ virou ‘must have’ . Todo mundo que fazia live porque era inovador, passou a fazer live porque era necessário, era o único caminho para se comunicar. O mercado de streaming amadureceu muito no Brasil. A gente vê esse mercado como uma oportunidade para ser o grande player para demandas mais sofisticadas de streaming, com uma plataforma robusta. 

Daniel Arcoverde, cofundador da Netshow.me

Uma Netflix para chamar de sua

Hoje, a Netshow.me atua em duas frentes: oferece toda a tecnologia para transmissão ao vivo, além do serviço de captação por meio de parcerias com produtoras; e, o que hoje é o carro-chefe da empresa, uma solução SaaS (Software as a Service) completa que permite que as empresas clientes organizem e gerenciem seus conteúdos transmitidos pela internet em uma plataforma de streaming white-label.

Em outras palavras, é como se cada empresa tivesse um streaming para chamar de seu, uma espécie de Netflix com a sua identidade visual, na qual pode disponibilizar toda sorte de material, de cursos corporativos e conteúdos voltados para o público interno a eventos ou workshops transmitidos ao vivo e depois disponibilizados gravados. 

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“Hoje a Netshow.me provê uma experiência completa de vídeo, desde a  captação e transmissão ao vivo até a plataforma de streaming white label B2B. Com a nossa plataforma OTT as empresas conseguem gerenciar conteúdo para seu público interno, monetizar por meio de assinaturas ou então utilizar o serviço para gerar leads e reforçar o relacionamento com a sua audiência”, explica Arcoverde.

A solução é utilizada por empresas de setores diversos e entre os clientes da Netshow.me estão desde companhias que já nasceram com o pé no digital, como a TOTVS, até empresas mais tradicionais, como a Gerdau e Santander.

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O preço da solução varia conforme o pacote de features que cada cliente necessita, e a Netshow.me também recebe uma comissão sobre as transações realizadas dentro da plataforma. Até aqui, a Netshow.me já realizou mais de 15 mil lives e tem uma base de 400 clientes ativos e de 150 clientes recorrentes (que utilizam a plataforma OTT). 

A Netshow.me tem entre seus investidores os fundadores do Buscapé, a Wayra, braço de inovação da Telefónica e da Vivo no Brasil, a ACE, e a Provence Capital, o primeiro investidor institucional que aportou uma rodada Seed em 2016. Agora, com a empresa em rota de crescimento sustentável, a startup estuda uma nova captação. 

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