Ribon startup Brasileira doação
Carlos Menezes, João Moraes e Rafael Rodeiro fundaram a Ribon em 2016. Foto: Ribon/Divulgação
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Ribon levanta R$ 20 milhões com Valor Capital Group e se prepara para se tornar uma DAO

Startup brasileira de doações vai usar a rodada post-Seed para lançar o protocolo em blockchain e expandir internacionalmente

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A socialtech brasileira Ribon criou uma plataforma que oferece uma experiência gamificada de doações, possibilitando que indivíduos doem para uma instituição de caridade sem tirar dinheiro do bolso, enquanto aumenta as doações institucionais em até 60%. O modelo de negócio da Ribon é inédito – e por isso a startup foi a única da América Latina reconhecida como uma das 10 soluções digitais mais criativas e inovadoras na área de doações diárias no mundo pela Fundação Bill e Melinda Gates –, e nasceu com o propósito de mudar a maneira como os brasileiros praticam filantropia. 

A Ribon acaba de concluir uma rodada post-Seed de US$ 3,5 milhões (cerca de R$ 20 milhões) liderada pelo Valor Capital Group e seguida pelas empresas de venture capital Bitkraft, Kenetic, Flori Ventures e 2TM, holding que controla o Mercado Bitcoin, além de investidores anjos como Gabby Dizon (CEO da YGG) e Fernando Martinelli (CEO da Balancer). 

A Ribon vai usar o capital recém injetado para avançar em sua estratégia de crescimento e internacionalização, migrando o negócio para o universo cripto, com o lançamento do protocolo Ribon em blockchain. Isso possibilitará a construção de integrações mais facilmente pelo código aberto, além da recompensação, via tokens, dos doadores e plataformas que contribuírem para o funcionamento do protocolo. A startup também planeja lançar seu token de governança para o lançamento da RibonDAO, uma Organização Autônoma Descentralizada (DAO) que passa a gerenciar o protocolo em blockchain.

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“Nós migramos todo o nosso modelo de negócios para um modelo descentralizado, em blockchain. Foi com isso em mente que levantamos mais uma rodada com investidores internacionais de cripto. A experiência de doação permanece essencialmente a mesma. O que melhora é que protocolo da Ribon fica aberto e com isso as empresas podem fazer as integrações de uma forma mais fácil. Além disso, as pessoas que utilizam a plataforma receberão tokens, que de certa forma representam uma parte do protocolo”, explica Rafael Rodeiro, CEO e co-fundador da startup ao lado de Carlos Menezes e João Moraes.

A Ribon passa a ser um organismo vivo e quem tem poder de mudar ela no futuro são os próprios clientes e usuários. Essa mudança não só vai acelerar o crescimento da Ribon, como também é um paradigma importante considerando que somos uma startup de filantropia.

Rafael Rodeiro, CEO da Ribon

Como funciona

Fundada em 2016, a Ribon afirma aumentar em até 60% o volume de doações institucionais que fundações filantrópicas e empresas fazem, ao mesmo tempo em que estimula a cultura da doação individual por meio da gamificação.

Imagine que uma fundação ou empresa tem R$ 100 mil para doar. Por meio de uma parceria com a Ribon, a startup transforma esse montante em vouchers que são distribuídos para doadores individuais na própria plataforma da Ribon ou em sites, apps e até mesmo chatbots via WhatsApp das empresas parceiras. Esse modelo de integrações, que permite que a solução seja “replicada” em outras interfaces além da plataforma da Ribon (por exemplo, na etapa de avaliação de um atendimento via chatbot, o usuário recebe um voucher para fazer uma doação), adicionou quase 60 mil usuários/doadores individuais ao mês. 

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“Passamos de zero usuários usando integrações para quase 60 mil usuários/mês. Isso foi fundamental para entendermos como escalar o modelo e escalar rápido, porque quanto mais integrações nós temos, mais pessoas recebem vouchers de doação e caem no fluxo de gamificação da Ribon”, conta Rodeiro. 

Com os vouchers, os doadores individuais podem fazer uma doação gratuita para uma instituição ou causa. A Ribon espera que, ao criar uma experiência positiva, as pessoas também façam doações efetivamente pagas – e é daí que vêm os 60% a mais gerados pela socialtech sobre o montante doado pelas parceiras. 

“Após ter essa experiência, muitas pessoas se interessam pelo movimento e começam a doar do próprio bolso. A maneira mais fácil de mostrar que fazer caridade é uma coisa boa e eficaz é criar uma experiência positiva”, diz Rodeiro. 

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Nesse cenário, todos ganham: fundações e empresas arrecadam mais dinheiro, mais projetos sociais e comunidades recebem ajuda e mais pessoas se conectam por um senso de responsabilidade social que, mais do que nunca, exige um compromisso constante.

Naturalmente, uma tecnologia social que promove a cultura da doação aposta na solidariedade e no engajamento individual. Mas, até aqui, tem dado certo: mais de 250,000 pessoas já doaram pela Ribon, totalizando mais de R$ 1 milhão em doações, montante que já ajudou 29 instituições ou projetos, com destaque para PACE, Pão é Vida e Living Goods.

“A Ribon tem um modelo de negócio inédito, que não existe em outros países. E é um dos primeiros protocolos DAO, descentralizado, do Brasil a levantar um aporte, os investidores não estão familiarizados com a proposta. É um reconhecimento muito importante para a empresa”, conclui Rodeiro. 

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