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Fábio Carrara, CEO e fundador da Solfácil. Foto: Paulo Vitale/Divulgação
Negócios

O Sol é para todos: Solfácil garante US$ 100 milhões para ampliar serviços de energia solar

Série C liderada pela QED Investors será usada para ampliar oferta de crédito, expandir o marketplace de equipamentos solares e lançar dispositivo IOT para monitoramento dos sistemas

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A Solfácil, fintech brasileira que fornece linhas de crédito para instalação de energia solar, acabou de concluir a captação de US$ 100 milhões (cerca de R$ 500 milhões) em rodada Série C liderada pelo fundo de capital de risco norte-americano QED Investors, que também liderou a Série B, menos de um ano atrás. Também acompanharam a rodada o SoftBank, VEF e Valor Capital Group

O capital será investido na expansão do que a Solfácil chama de “ecossistema solar”: um conjunto de soluções que, além das linhas de crédito, o carro-chefe do portfólio, inclui também a Loja Solfácil, um marketplace de equipamentos solares e um dispositivo IOT (Internet of Things) desenvolvido com tecnologia proprietária para monitorar e melhorar a produtividade dos sistemas de energia solar dos integradores (empresas parceiras que efetivamente fazem os projetos e instalam os painéis solares para o cliente final da Solfácil). 

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Assim, parte dos recursos será usada para a concessão de mais crédito – a meta da Solfácil é chegar ao fim de 2022 com uma carteira de crédito de R$ 3 bilhões e 100 mil clientes atendidos; e parte será alocada em tecnologia para melhorar os recursos do marketplace que atende os integradores e aprimorar o dispositivo IOT.

De fintech a ecossistema solar

Quando chegou ao mercado, em 2018, a Solfácil queria popularizar o acesso à energia solar entre os brasileiros. Com as linhas de crédito para financiar a instalação de placas de energia solar para pessoas físicas e produtores rurais (até R$ 200 mil) e pequenas e médias empresas (até R$ 500 mil), a startup já financiou mais de R$ 1,2 bilhões em empréstimos solares.

Segundo a consultoria Greener, a Solfácil é o terceiro maior agente financiador de energia solar do Brasil, ao lado de grandes bancos, como BV e Santander. A meta da startup é se consolidar como o maior financiador de energia solar do país. Mas não só. 

“Hoje nós somos mais que uma fintech, somos um ecossistema de energia solar. Temos uma fintech para dar acesso ao sistema de energia solar, um marketplace para comercializar o kit fotovoltaico, que é a parte fundamental do investimento além da instalação, e agora o IOT proprietário que cuida desse sistema solar ao longo de 30 anos de vida útil que ele vai ter na casa do cliente”, disse Fábio Carrara, CEO e fundador da Solfácil, em entrevista ao LABS. 

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Atualmente com uma base de 40 mil clientes finais e mais de 8 mil integradores parceiros conectados à sua plataforma em todo o Brasil, a construção desse “ecossistema solar” foi um passo natural na trajetória de evolução da startup que opera no modelo B2B2C e, portanto, tem duas audiências para atender, segundo Carrara.

Foi dessa percepção que surgiu a ideia de lançar, em agosto passado, seu segundo produto, o marketplace de equipamentos solares que atende tanto os integradores parceiros quanto os clientes finais. “Percebemos que os integradores que estavam financiando os projetos de energia solar dos seus clientes com a gente tinham que lidar com um processo de compra muito analógico ainda”, explicou Carrara. 

Hoje, o marketplace da startup conta com mais de 5 mil produtos, como painéis solares, inversores e racks, e conecta os integradores parceiros a diversas opções de distribuidores e marcas. Segundo Carrara, a Loja Solfácil resolve dois dos maiores desafios de um mercado de alta demanda e cadeia de suprimentos instável, os preços e a disponibilidade dos produtos. 

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Já o IOT, prestes a ser lançado, é resultado de um trabalho de pesquisa e desenvolvimento de três anos. O dispositivo vai permitir o monitoramento em tempo real da produção de energia do sistema fotovoltaico, vai emitir alertas quando algum problema for identificado e permitir ajustes remotos. “A gente acredita que o IOT é uma peça fundamental do ecossistema que estamos construindo. Investir em hardware é algo atípico, a maioria das empresas opta por terceirizar com uma solução white label. Mas consideramos estratégico desenvolver em casa”, explicou Carrara. 

O futuro da energia é solar

De acordo com Carrara, em 2022 o Brasil deve se tornar o segundo maior mercado de energia solar distribuída, atrás somente da China. Para ele, a energia solar terá um papel fundamental para que o país não fique refém de crises hídricas e ameaças de racionamento sempre que a economia dá sinais de crescimento. 

“Hoje, a penetração é de apenas 1% em um país de insolação o ano todo. O Brasil será, definitivamente, a maior referência mundial na descentralização da produção de energia elétrica. Hoje, a energia solar descentralizada, no telhado das pessoas, é a fonte número um que aporta nova capacidade no Brasil. O consumo de energia per capita do brasileiro só vai aumentar e o país não está preparado para suportar o aumento da demanda com o modelo tradicional centralizado”, disse. 

A Solfácil tem como propósito empoderar os brasileiros através do Sol. A gente quer que as pessoas gerem renda adicional por meio da economia gerada com a energia solar e possam usar esses recursos para outras demandas.

Fábio Carrara, CEO e fundador da Solfácil 
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