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Guilherme Nosralla e Renato Andrade, cofundadores da Merama. Foto: Merama/Divulgação
Negócios

Startup Merama quer ser maior aceleradora de marcas digitais da América Latina

Com menos de seis meses de operação e uma Série A de US$ 160 milhões recém captada, a Merama investe e escala marcas próprias parceiras; a startup projeta vendas de US$ 100 milhões em 2021

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A América Latina foi a região com maior crescimento do e-commerce em 2020, impulsionado pela pandemia e pela aceleração digital. Nesse sentido, o timing da Merama, uma startup latino-americana de aceleração de marcas de varejo com ênfase no e-commerce, não poderia ter sido mais acertado. A companhia iniciou suas operações em dezembro com a meta de ser o principal player de marcas próprias da região e o maior parceiro de gigantes do varejo e do e-commerce, como Mercado Livre, Amazon, Magazine Luiza, B2W e Via Varejo.

Em abril, a Merama captou uma Série A de US$ 160 milhões, sendo US$ 60 milhões de equity e US$ 100 milhões de linha de crédito. A rodada teve a participação de fundos de peso, como monashees, Valor Capital, Balderton e MAYA Capital, além de fundadores e executivos ligados a unicórnios da América Latina como MadeiraMadeira, Rappi, iFood e Loggi

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O rápido crescimento dessa startup novata tem a ver com o seu modelo de negócios. A Merama quer ser uma espécie de Unilever da América Latina. “A Merama tem uma proposta de ser uma holding, um grande conglomerado de marcas focadas em plataformas digitais. É uma adaptação do modelo de empresas que já vêm fazendo isso nos Estados Unidos e em países europeus, os famosos agregadores. Nós adaptamos esse modelo para a América Latina,” explica Renato Andrade, um dos cofundadores da Merama. 

A Merama nasceu da parceria entre Andrade e o brasileiro Guilherme Nosralla, que queriam trazer para o Brasil esse modelo de negócios, e o mexicano Felipe Delgado e o americano Sujay Tyle, um empreendedor em série, que planejavam lançar um empreendimento parecido no México. Por fim, juntou-se ao grupo ainda o francês Olivier Scialom

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Com essa composição, explica Nosralla, a Merama nasceu com duas vantagens competitivas: expertise em captação de recursos e DNA latino-americano. Com sede no Brasil e no México, a startup já opera também no Chile e no Peru. A Merama não revela quantas marcas já trouxe para seu portfólio, mas tem projeções de fechar 2021 com uma receita superior a US$ 100 milhões. 

Injeção de capital para alavancar negócios em escala

O negócio da Merama é baseado em escala, o que também explica o volume da Série A captada pela startup, que precisa do caixa cheio para trazer as marcas para o seu portfólio.

A nossa tese se baseia em três pilares: marca e empreendedor, muito capital para ajudar o empreendedor a destravar o crescimento e competências técnicas que a Merama oferece para acelerar, digitalizar e internacionalizar o negócio.

RENATO ANDRADE, COFUNDADOR DA MERAMA

Andrade explica que a escolha das marcas observa quatro requisitos:

  • Presença online do negócio. “Muitas marcas da América Latina têm operação online e offline, são poucas as nativas digitais, por isso também olhamos para operações offline, mas que estejam a caminho do online Essa foi uma das adaptações que fizemos no modelo de negócio para a região.”
  • Saúde financeira. “Nossa tese é de crescimento. Procuramos empresas que já alcançaram um equilíbrio entre crescimento e geração de caixa.” 
  • Produto. “Procuramos produtos sem apelo sazonal e sem prazo de validade.”
  • Fit dos empreendedores com a visão de negócio da Merama. “Nós compramos pelo menos 51% das empresas, e o fundador continua na operação. Por isso esse fit é fundamental.” Após escalar as operações, o modelo da Merama prevê a aquisição de 100% das companhias em um prazo de três a cinco anos.

Ao se tornar sócia dos empreendimentos, além da injeção de capital, a Merama também desenvolve um plano de crescimento direcionado para cada marca. A startup não interfere no desenvolvimento de produto e também não tem planos de se tornar ela mesma um marketplace de marcas e produtos.

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Algumas das alavancas de crescimento incluem internacionalização, expansão de canais, otimização do marketing digital e dos custos, investimento em novos produtos e categorias, além de melhorias operacionais, como automatização de processos e padronização de fornecedores.

“O e-commerce cresce muito na América Latina, é uma região que já tem muitos negócios bem sucedidos, mas os empreendedores têm desafios. Por exemplo, ele cresce, mas reinveste todo o lucro. Ao mesmo tempo, falta capital para turbinar o negócio. A Merama solta as amarras de crescimento. A gente oferece o capital e as condições para que a operação tenha liquidez, mas também deslanche no digital e internacionalize,” concluí Nosralla.

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