Tabas: US$ 14 milhões para oferecer aluguel descomplicado e flexível para o brasileiro
Simone Surdi e Leonardo Morgatto, cofundadores da Tabas. Foto: Tabas/Divulgação
Negócios

Com promessa de aluguel descomplicado e flexível para o brasileiro, Tabas garante rodada de US$ 14 milhões

Proptech promete sanar as dores dos proprietários de imóveis e dos inquilinos; Série A será usada para expansão e lançamento de produtos financeiros e serviços B2B

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Com uma solução LaaS (Living as a Service) e uma oferta de aluguel descomplicado e flexível, com tudo incluso – móveis, IPTU, condomínio, água, luz e internet –, a startup brasileira Tabas fechou uma rodada de captação Série A de US$ 14 milhões (o equivalente a R$ 80 milhões).

Desse montante, US$ 6.6 milhões foram captados em equity em rodada liderada pela proptech norte-americana Blueground, que atua de maneira bem semelhante à brasileira e passa a ocupar uma cadeira no conselho de administração da Tabas. Também participaram da rodada a Echo Capital, gestora de Guilherme Weege, e Nelson Queiroz Tanure. O restante, US$ 7,3 milhões, foi captado em debt com investidores não divulgados. 

Fundada pelo brasileiro Leonardo Morgatto e o italiano Simone Surdi, a Tabas chegou ao mercado no início de 2020, semanas antes de a pandemia de COVID-19 sacudir o mundo – e o mercado. Apesar do cenário de incertezas no ano de estreia, a startup fechou 2021 com um faturamento de R$ 15 milhões e uma taxa média de ocupação de 93%. 

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Morgatto e Surdi atribuem os bons resultados ao modelo de negócio da proptech, que promete sanar as dores tanto dos proprietários de imóveis quanto dos inquilinos.

O primeiro ano foi complicado, foi um período de capital escasso. Em algum momento, recebemos um aporte de investidores que acreditaram em nós como empreendedores e conseguimos validar o modelo no mercado, provar que a operação era sustentável. Em 2021, o negócio deslanchou. Hoje nós vemos que havia uma necessidade grande no mercado pelo nosso modelo de negócio, há uma escassez grande do nosso produto, uma escassez global.

Leonardo Morgatto, cofundador e CEO da Tabas

O foco da Tabas é o aluguel flexível para estadias de médio e longo prazo. O flexível, no entanto, vale para o cliente final, para quem vai alugar um imóvel e não quer se comprometer com um contrato longo, com exigência de permanência mínima e outras práticas comuns ao mercado imobiliário. Assim, a Tabas oferece alugueis a partir de um mês (a startup não trabalha com estadias de curta duração, de dias) com as despesas fixas do imóvel inclusas (como IPTU, condomínio, luz, água, gás e internet). 

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Já o negócio firmado com os proprietários dos imóveis segue termos mais estáveis: a Tabas firma contratos de longo prazo (até seis anos) com os proprietários das unidades e, durante esse período, reforma, mobilia e equipa os imóveis de acordo com o “padrão Tabas de design e conforto”. A startup então passa a administrar os aluguéis até o fim do contrato e fica responsável pela manutenção das unidades e por repassar o valor do aluguel para os proprietários – independentemente de o local estar ocupado ou não. 

“Hoje o mercado imobiliário brasileiro tem muitos casos de imóveis que foram adquiridos para ser fonte de renda, mas o tempo passa, o imóvel não recebe manutenção adequada e no fim você tem imóveis em localizações excelentes e em péssimo estado. Isso é ruim para o proprietário e para o inquilino. Nós resolvemos esse gargalo. Para os proprietários, somos uma solução ideal e estável, enquanto para os locatários, oferecemos um lugar para se sentirem em casa com a liberdade de viver como, onde e por quanto tempo desejarem”, explicou Morgatto.

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Atualmente, a Tabas opera apenas nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro, e administra um portfólio de 360 apartamentos escolhidos a dedo em bairros como Jardins e Itaim, em São Paulo, e Leblon e Copacabana, no Rio de Janeiro. A maior parte do portfólio é composta por imóveis de dois ou mais quartos e os aluguéis variam de R$ 5 mil a R$ 40 mil.

Futuro: expansão geográfica e produtos financeiros

O capital recém injetado será dividido em duas frentes. O dinheiro de debt será usado para reforma e mobília dos imóveis do portfólio, “para transformar os imóveis em uma solução viável para o padrão da Tabas”, segundo Morgatto. 

Já o montante captado em equity será usado para acelerar a expansão da operação para outros bairros e cidades, começando por Brasília já no primeiro trimestre, e ampliar o portfólio de imóveis, chegando a 1.200 apartamentos até o fim de 2022. Ampliar a equipe, hoje composta por 80 funcionários, e aprimorar a tecnologia e a eficiência operacional também está nos planos.

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Além disso, a Tabas estuda duas novas frentes de atuação: o lançamento de produtos financeiros para os proprietários, como antecipação de recebíveis; e o lançamento de soluções B2B, para atender a demanda empresarial por alugueis

De acordo com os cofundadores, a opção pela captação em debt foi o caminho natural para a empresa. “Nosso modelo de negócio se presta muito para esse modelo de financiamento. Temos um ativo imobiliário que nós reformamos. Não faz sentido usar dinheiro de equity com esse tipo de ativo, cujo valor é depreciado ao longo do tempo. O dinheiro de equity é para investir na tecnologia e na operação, que cresce de valor. Não são todas as startups que têm essa possibilidade”, disse Surdi.

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