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Compras remotas feitas com cartão crescem 18,4% no Brasil

Aumento ocorreu nos primeiros seis meses do ano, em meio à pandemia, em comparação ao mesmo período de 2019, segundo a Abecs. No total, volume transacionado por cartões cresceu 3% em relação ao ano passado

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As compras realizadas com cartões de crédito, débito e pré-pagos cresceram 3% no primeiro semestre de 2020 em comparação ao mesmo período do ano passado, segundo dados divulgados nesta quarta-feira pela Abecs, associação que representa o setor de meios eletrônicos de pagamento. No total, R$ 876,4 bilhões foram gastos via cartões, sendo que R$ 173,5 bilhões foram gastos em compras não presenciais, um crescimento de 18,4% em relação aos primeiros seis meses do ano passado.

No fim de junho, as compras remotas responderam por 35,5% de todo o volume transacionado com cartão de crédito. De maneira geral, uma pesquisa encomendada pela Abecs para o Instituto Datafolha mostra que o hábito de compra pela internet entre os usuários de cartão aumentou de 47%, em junho de 2019, para 67%, em junho de 2020. Além disso, 29% disseram ter aumentado a frequência desse tipo de transação durante a quarentena. 

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O volume de pagamentos por aproximação (pagamentos sem o contato do cartão com a maquininha, ou ainda por meio de dispositivos como pulseiras e smartphones), também cresceu, 330%, e atingiu um total de R$ 8,3 bilhões no primeiro semestre deste ano. 

Os efeitos da pandemia

De forma geral, os dados da Abecs mostram uma queda acentuada no valor transacionado via cartões entre março e abril, e uma recuperação, puxada em um primeiro momento, em maio, pelo varejo, e depois, em um segundo momento, em junho, pelo setor de serviços. 

“No segundo trimestre, a indústria de pagamentos perdeu valor transacionado em relação a 2019, foi a primeira vez que isso aconteceu dentro da nossa série histórica. A maior perda ocorreu no cartão de crédito (-11,9%), porque também é o tipo de cartão mais usado, e mais usado principalmente em segmentos bastante afetados pela crise, como profissionais liberais, turismo, entretenimento, eletroeletrônicos”, explicou o diretor executivo da Abecs, Ricardo Vieira em coletiva aos jornalistas. Segundo ele, a recuperação já começou. “Estamos revendo os modelos de projeção, e em duas semanas teremos dados mais consolidados. Mas a gente continua firme na expectativa de que a industria apresentará um crescimento positivo, na casa dos 3%, talvez até maior que isso, em 2020”. 

A queda acentuada no segundo trimestre também afetou o crescimento das transações não presenciais, conforme mostra o gráfico abaixo. Em janeiro e fevereiro, antes da pandemia chegar ao Brasil, o volume total dessas transações estava 31,4% e 28,9% maior, respectivamente, do que nos meses de 2019. Com a pandemia e a queda geral no consumo, as transações não presenciais também cresceram menos em março (10,5%) e abril (5,8%). A recuperação começou para valer em maio.

No total, os brasileiros movimentaram R$ 540,4 bilhões (0,8% a mais do que no primeiro semestre de 2019) com cartões de crédito, R$ 323,2 bilhões (5,7%) com cartões de débito e R$ 14,7 bilhões (68,4%) com cartões pré-pagos. Em quantidade, foram ao todo 10,5 bilhões de transações com cartões ao longo do semestre.

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Auxílio emergencial movimentou R$ 4 bilhões entre maio e junho

O levantamento da Abecs separa o valor relativo ao auxílio financeiro emergencial e que passou pelos cartões, já que é um volume temporário e que não faz sentido no acompanhado regular das operações do setor. Segundo a entidade, o auxílio emergencial de R$ 600 movimentou um volume adicional de R$ 4 bilhões via cartões de débito nos meses de maio e junho. Se consideradas essas transações, o resultado do segundo trimestre subiria para R$ 404,7 bilhões, com queda de 6,8% (em vez de 7,7%) em relação ao mesmo período do ano passado. No semestre, com esse cenário, o crescimento do setor seria de 3,5% (em vez de 3%).

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