Economia

Fitch diz que COVID-19 é fator principal de risco para rebaixamento de economias latino-americanas

Mesmo diante da resposta lenta do Brasil à pandemia, analistas do Bank of America (BofA), dizem que o real é a moeda que mais pode surpreender na região

Nota de 200 reais, emitida em 2020 pelo governo brasileiro
Nota de 200 reais, emitida em 2020 pelo governo brasileiro. Foto: Reuters/Adriano Machado/File Photo
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  • A forma como a região lida com a segunda onda, o ritmo das distribuições de vacinas, o volume de imunizantes a serem aplicados e a fragilidade de forma geral dos sistemas de saúde pública devem ser monitorados de perto pela Fitch;
  • Já na pesquisa do BofA, a maioria dlos investidores consultados aposta que o dólar terminará 2021 cotado entre R$ 4,81 e R$ 5,10.

As economias latino-americanas vão se recuperar (em alguma medida) neste ano da recessão de 2020, mas os riscos, quase todos, ainda apontam para um cenário mais negativo, a depender, principalmente, da resposta à pandemia de COVID-19. Esse é o resumo do que disseram nesta quarta-feira os analistas da agência de classificação de risco Fitch Ratings.

O crescimento mais lento também vai comprometer os esforços dos governos para trazer déficits e dívida pública de volta a um caminho mais sustentável e descendente, visto que uma segunda onda de infecções eleva a pressão pública para um aumento de gastos.

Shelly Shetty, diretora-gerente de soberanos da Fitch, disse que a forma como a região lida com a segunda onda, o ritmo das distribuições de vacinas, o volume de imunizantes a serem aplicados e a fragilidade de forma geral dos sistemas de saúde pública devem ser monitorados.

“Não vemos muitos riscos de alta… (vemos) vários riscos de baixa”, disse Shetty em uma apresentação online.

O Peru vai registrar o maior crescimento na região este ano, superior a 5%, enquanto a economia do Brasil avançará pouco mais de 3%, limitada por um aguardado endurecimento da política fiscal, disse ela. A recuperação deve ser apoiada por um crescimento de 8% da China, fortes preços globais de commodities, política monetária interna acomodatícia e efeitos de base favoráveis.

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O déficit orçamentário médio na região cairá a 3% do Produto Interno Bruto (PIB), mas os déficits fiscais permanecerão altos para os padrões históricos, a uma média de 6% do PIB. O déficit do Brasil será de 7% do PIB, disse Shetty.

“A consolidação será um processo de vários anos”, disse ela, observando que mais da metade de todas as perspectivas de ratings soberanos para a América Latina são negativas, a mais elevada para qualquer região no mundo, e sem perspectivas positivas.

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Real é maior aposta entre moedas latino-americanas

Mesmo diante da lentidão das respostas do Brasil à pandemia, o real é a maior aposta entre as moedas que terão desempenho superior nos próximos seis meses, segundo pesquisa do Bank of America (BofA) com investidores e clientes institucionais.

Na sondagem divulgada nesta quarta-feira, o real foi citado por 44% dos respondentes como a divisa que registrará a melhor performance nos próximos seis meses. O peso mexicano, com 33% dos votos, ficou em segundo lugar.

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Apenas 14% dos participantes da pesquisa esperam que moedas fortes tenham desempenho superior. Peso chileno e peso colombiano também foram citados.

Sobre as projeções para o câmbio, a pesquisa do BofA mostrou que menos respondentes (59%, ante 69% na sondagem anterior) veem o dólar abaixo de R$ 5,10 ao fim de 2021. A maioria das respostas se concentra na faixa entre R$ 4,81 e R$ 5,10.

A maioria dos consultados espera que o crescimento da economia brasileira fique entre 2% e 4% em 2021. O BofA projeta taxa de 3,5%.