Economia

Pressionada por alimentos, inflação termina 2020 no maior nível em 4 anos no Brasil

Ainda assim, o IPCA, índice oficial, terminou o ano dentro da meta estabelecida pelo Banco Central

cédulas de Real
Foto: Shutterstock
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  • O ano de 2020 começou com o cenário de preços fracos, intensificado pelas paralisações e isolamento para contenção do novo coronavírus;
  • Entretanto, em meados do ano os preços passaram a apresentar repique, com os alimentos entrando em destaque no final do ano em meio a exportações, fortalecimento do dólar, auxílio emergencial e também a flexibilização das medidas de isolamento.

A inflação oficial do Brasil encerrou 2020 dentro do limite da meta do governo, mas acima do centro do objetivo e com a maior taxa em quatro anos, sob forte pressão dos alimentos. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) terminou 2020 com alta acumulada de 4,52%, contra 4,31% em 2019, de acordo com os dados divulgados nesta terça-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O resultado mostra que a inflação ficou acima do centro da meta do governo, de 4%, mas dentro do intervalo de tolerância, já que a margem era de 1,5 ponto percentual para mais ou menos. Essa foi a maior taxa acumulada no ano desde 2016, quando o IPCA subiu 6,29%. Ainda assim, marcou o terceiro ano seguido dentro da banda, após em 2017 terminar ligeiramente abaixo do piso.

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Para 2021, a meta de inflação estabelecida pelo governo é de 3,75%, também com margem de 1,5 ponto, e o ano começa com cautela em relação aos preços devido principalmente à desvalorização do real – somente neste início de 2021 a moeda brasileira já perde 5% ante o dólar.

O ano de 2020 começou com o cenário de preços fracos, intensificado pelas paralisações e isolamento para contenção do novo coronavírus. Entretanto, em meados do ano os preços passaram a apresentar repique, com os alimentos entrando em destaque no final do ano em meio a exportações, fortalecimento do dólar, auxílio emergencial e também a flexibilização das medidas de isolamento.

“O câmbio mais pressionado nos últimos dias também pode pressionar um pouco o IPCA dos primeiros meses de 2021”, destacou a corretora XP em seu relatório Macro Watch.

As maiores variações mensais entre os alimentos foram registradas em dois períodos distintos – nos meses de março (1,13%) e abril (1,79%), logo após o início das medidas de isolamento social devido à pandemia de COVID-19; e de setembro a dezembro, com variações superiores a 1,70% nos quatro últimos meses do ano.

As principais contribuições para a alta no grupo vieram de óleo de soja (103,79%), arroz (76,01%), leite longa vida (26,93%), frutas (25,40%) e carnes (17,97%).

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Para o Banco Central, a avaliação é de que os choques atuais ligados à inflação serão passageiros. Se o quadro inflacionário persistir, no entanto, a autoridade entende que talvez tenha que voltar a subir a taxa básica de juros – hoje em 2% ao ano. “O dado do mês (de dezembro) apresenta diversos sinais de aumento de preocupação para o Banco Central, com especial destaque para avanço dos industriais subjacentes. Esperamos para janeiro arrefecimento por conta da alteração da bandeira tarifária de energia, dentre outros fatores. Por outro lado, a aceleração de industrias e a desvalorização recente do real sugerem cautela”, afirmou Felipe Sichel, estrategista-chefe do banco digital modalmais.

O BC projeta crescimento da economia de 3,8% em 2021, com uma lenta retomada do mercado de trabalho devido às restrições impostas pela pandemia.