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AliExpress usará "live commerce", serviços financeiros e cadastramento de vendedores locais para crescer no Brasil

País está sempre entre os cinco principais mercado do e-commerce internacional do gigante chinês Alibaba

Logo da AliExpress fotografada em Moscou, Rússia. em julho de 2020. Foto: REUTERS/Evgenia Novozhenina

AliExpress, site de comércio eletrônico internacional do gigante chinês Alibaba, planeja usar o chamado live commerce, serviços financeiros e o cadastramento de vendedores locais para expandir no Brasil. É o que o country manager do AliExpress no país, Yan Di, contou à Reuters. O Brasil é um cinco principais mercados da empresa no mundo e tem um potencial enorme ainda pouco explorado: do total das vendas do varejo no Brasil, pouco mais de 5% ocorre por meio de canais online, enquanto que em países como a China, esse percentual chega a mais de 30%. Em 2020, as vendas do AliExpress cresceram cerca de 130%.

Di também disse à agência algo que já tinha adiantado ao LABS ainda no ano passado: que o AliExpress também investirá no fenômeno do live commerce ou social commerce para crescer ainda mais no país, ou seja, no mix de lives e experiências ao vivo de compras. A modalidade já representa cerca de 10% das vendas do comércio eletrônico na China e também vem ganhando popularidade em alguns mercados europeus.

Lives na plataforma doméstica de comércio eletrônico do Alibaba, Taobao.
Lives na plataforma doméstica de comércio eletrônico do Alibaba, Taobao. AliExpress quer repetir o sucesso com os clientes internacionais. Imagem: montagem.

Num movimento preliminar nessa direção, nos últimos meses, o AliExpress tem ampliado investimentos em marketing em reality shows de grande audiência na TV brasileira, como o Big Brother Brasil e A Fazenda. Em sua página no LinkedIn, o grupo recentemente anunciou que quer contratar um líder de marketing no Brasil.

Ao apostar no live commerce, a empresa também busca atrair criadores de conteúdo locais. Em maio de 2020, o site lançou a Conexão AliExpress, nova plataforma que faz a ponte entre influenciadores e as principais marcas vendedoras do marketplace. O objetivo da plataforma é ousado: atrair 1 milhão de influenciadores nos próximos três anos, e ajudar pelo menos 100 deles a obter uma renda anual de mais de US$ 1 milhão. “Sim, você pode pensar que esse é um objetivo ousado, mas a verdade é que já está acontecendo na China. Muitas pessoas estão ganhando mais do que isso aqui”, disse Martin Wang, diretor de cooperação para o comércio social e operações internacionais do AliExpress em entrevista ao LABS em junho passado.

Em outra frente, o AliExpress planeja passar a oferecer serviços financeiros no país, ampliando também a oferta de produtos já presentes no país, como o pagamento parcelado sem juros. A medida poderia ajudar o grupo a enfrentar a crescente integração entre comércio eletrônico e serviços financeiros na qual expoentes brasileiros como Mercado Livre, Magazine Luiza e B2W, vêm apostando pesado. “Entrar no ecossistema de finanças no Brasil é questão de tempo”, afirmou o executivo à Reuters, declinando, no entanto, mencionar um prazo sobre quando ou como isso deve acontecer.

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Como o AliExpress quer trazer vendedores brasileiros para dentro do seu marketplace

Para complementar o processo de “abrasileirar” mais o serviço, o AliExpress também prepara “para breve” o cadastramento de vendedores locais em seu marketplace. Ainda em fevereiro, a empresa anunciou uma parceria com a Nuvemshop para permitir que empreendedores do brasileiros construam seu negócio online conectado com o marketplace AliExpress. Essa conexão entre as duas empresas é possível por meio do aplicativo Dropi, desenvolvido pela empresa Empreender e lançado na Nuvemshop. O aplicativo é de graça nos primeiros 30 pedidos.

Para ter acesso a essa solução, o empreendedor deve criar uma loja virtual na Nuvemshop. Lá, ele conseguirá interligar aplicativos do ecossistema já disponíveis na plataforma, como meios de pagamento e o app Dropi. Após integrar esse último, o lojista já estará conectado ao ambiente dos produtos vendidos pelo grupo Alibaba, onde poderá selecionar produtos de fabricantes e distribuidores espalhados pelo mundo todo para vender no Brasil.  

O vendedor escolhe o produto no AliExpress e o importa para o seu site. Quando esse item é vendido, automaticamente, o sistema aciona o fornecedor que faz o envio direto ao consumidor final. O processo ocorre de forma automática e o consumidor não tem conhecimento de que essa transação foi intermediada pela AliExpress. Este método faz com que os lojistas não precisem gerenciar estoque e o pagamento do produto só é efetuado ao fornecedor quando, efetivamente, o consumidor finaliza o pedido.

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Entrega em até 12 dias e outros planos do AliExpress para melhor logística

Essas iniciativas são desenhadas enquanto o AliExpress também procura melhorar a eficiência logística para reduzir os prazos de entrega. Neste mês, a empresa anunciou entregas de importados em até 12 dias para clientes na cidade de São Paulo, serviço que deve gradualmente chegar a outras cidades.

“E fazemos isso sem cobrar mensalidade”, afirmou Di, sem mencionar diretamente o “Prime”, programa de fidelidade da rival Amazon, que inclui entregas grátis aos afiliados.

Os comentários ocorrem no momento em que diversos grupos de comércio eletrônico no Brasil vêm tentando também aproveitar a demanda por importados, incluindo a Shopee, de Cingapura; o Tiendamia, com sede no Uruguai; Wish; e Shein. A própria Amazon anunciou neste mês uma prateleira de importados com frete grátis para clientes do Prime no Brasil.

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De fato, o AliExpress tem percebido que vários de seus rivais têm tentado sair na frente no Brasil com produtos e serviços já populares na China e em outros mercados, como a venda de produtos por preço de custo e o próprio live commerce.

No começo do mês, a B2W anunciou acordo com a plataforma europeia OOOOO, que usa streaming para alavancar vendas, preparando a estreia no live commerce.

Correios

Uma das frentes de batalha no e-commerce brasileiro, que dobrou de tamanho no passado com impulso das medidas de isolamento social, os prazos de entrega cada vez menores tendem a ser um desafio para o AliExpress, que tem nos Correios seu maior parceiro de entregas.

A estatal de entregas tem perdido participação de mercado tanto para rivais privados quanto para empresas de comércio eletrônico que preferiram desenvolver logística própria, casos de Mercado Livre, Magazine Luiza, Via Varejo e outros.

Com isso, rumores de que o AliExpress seria o maior interessado em comprar os Correios, cuja privatização o governo federal prevê para 2022, têm crescido.

Segundo um estudo encomendado pelo próprio governo, os maiores clientes dos Correios em encomendas são justamente as grandes empresas de e-commerce, respondendo por 61% da receita.

Perguntado sobre o possível interesse do AliExpress em comprar os Correios, Di disse que não comentaria o assunto.