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Fintech, energia e varejo são os setores da América Latina mais interessantes para VCs: Wind Ventures

Profissionais de venture capital entrevistados apontam uma visão mais otimista para o ecossistema de inovação da região

América Latina: valor médio de aportes em startups salta de US$ 13 milhões para US$ 31,9 milhões em novembro
Imagem: Shutterstock
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O sentimento dos investidores de capital de risco em relação à América Latina é de otimismo, de acordo com um levantamento realizado pelo fundo Wind Ventures. Em sua pesquisa anual sobre o mercado de investimentos globais, a companhia ainda aponta os setores mais promissores para investimento na região, de acordo com os VCs. Para 66% dos entrevistados, as fintechs seguem como a área mais promissora para investimento, seguido por energia (20%) e varejo (11%)

Outro dado interessante é que o otimismo em relação ao crescimento da inovação na região cresceu: 78% dos respondentes indicam que estão mais confiantes com o ecossistema latino-americano do que em 2020.

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O tamanho do mercado e o engajamento com novas tecnologias presente na região se mantém como os dois fatores mais importantes para a expansão, de acordo com a pesquisa. Em seguida, é listada a presença de parceiros locais. Além disso, há um crescimento significativo da percepção de que a América Latina tem os elementos necessários para fomentar o crescimento das startups locais, enquanto a mesma percepção tem diminuido em relação a mercados mais desenvolvidos como China e Europa.

“O que vimos no ano passado foi uma maior consciência dentro do ecossistema de capital de risco sobre a transformação tecnológica da América Latina”, disse Brian Walsh, líder da Wind Ventures. “Os capitalistas de risco se tornaram mais conscientes e otimistas sobre as oportunidades em região, como indicado pela nossa pesquisa, e como resultado estão colocando ainda mais capital”.

Walsh também lembra dados recentes do PitchBook sobre o investimento de venture capital na região em 2021: mais de US$ 12 bilhões foram injetados em mais de 500 acordos assinados para investimento na América Latina, o que e mais do que o valor investido nos últimos três anos combinados.

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Wind Ventures é o braço de venture capital da companhia de energia chilena Copec, uma das líderes da região. Com sede em São Francisco (EUA), o Wind Ventures aproveita os recurso da Copec para acelerar o crescimento de startups e scale-ups, principalmente, na América Latina.

Em setembro de 2021, o time da companhia entrevistou 40 profissionais de venture capital em diversos setores. A maioria dos pesquisados (68%) são investidores de early-stage, 20% atual no growth-stage e outros 12% são investidores da fase seed.

Tamanho do mercado e alta taxa para adoção de novas tecnologias são os principais atrativos para os VCs investirem em startups da América Latina. Fonte: Wind Ventures

Desafios para a expansão

Quando perguntados sobre América Latina, os profissionais apontam que os principais desafios para a região estão em aspectos políticos e econômicos. Cerca de 95% deles apontou a condição política de região, com 51% apontando desafios econômicos e 39% culturais — além de 17% ainda preocupados com os impactos do COVID-19.

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Os principais desafios dos VCs para a construção de negócios da Am´érica Latina. Fonte: Wind Ventures

“Historicamente, há falta de investimento em tecnologia na América Latina”, explica Walsh. “A região está pronta para explodir em crescimento por conta da transformação digital de um mercado de 600 milhões de pessoas. Nós acreditamos que há oportunidades para startups de todo o mundo expandirem seus mercados na América Latina; entretanto, dadas as complexidades da região, tomar as melhores decisões sobre qual mercado atacar na América Latina e como navegar seus elementos políticos e parcerias são cruciais”.