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Gigantes de tecnologia despencam após resultados abaixo do esperado pelo mercado

Facebook, Amazon, Apple, Netflix e Google, perderam cerca de US$ 4 trilhões em valor de mercado nas primeiras semanas de 2022

Metaverso, Facebook, Meta, Mark Zuckerberg
Foto: Meta/Divulgação

As ações da dona do Facebook, Meta, caíram 20% no pré-mercado dos Estados Unidos nesta quinta-feira (3), depois que a gigante da mídia social divulgou uma previsão sombria, culpando as mudanças de privacidade da Apple e o aumento da concorrência.

A queda, antes dos balanço da Amazon no fim do dia, se espalhou pela Europa, onde tecnologia liderou as quedas setoriais com queda de 2% e azedou o clima nos mercados financeiros globais em outro dia de reuniões de bancos centrais.

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A Meta relatou um declínio nos usuários ativos diários em relação ao trimestre anterior pela primeira vez, com uma corrida com rivais como TikTok, a plataforma de compartilhamento de vídeo da chinesa ByteDance.

O chamado grupo FAANG do Facebook, Amazon, Apple, Netflix e Google, viu cerca de US$ 4 trilhões em valor de mercado sumirem nas primeiras semanas de 2022. Segmentos mais baratos dos mercados tornaram-se mais atraentes, enquanto os bancos centrais diminuem o estímulo.

Outra companhia que apresentou resultados negativos na semana foi a Spotify, que previu na quarta um número menor de assinantes para o atual trimestre em relação ao esperado pelos analistas de Wall Street. Os executivos da companhia buscaram assegurar aos investidores que o crescimento da empresa não empacou, apesar da polêmica ao redor do podcast The Joe Rogan Experience.

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As ações da Spotify caíram até 18% no after-market depois que a companhia divulgou previsão de assinantes.

“Apesar de não divulgarmos mais estimativas para o ano sobre assinantes…Não esperamos uma diferença material nas adições líquidas seja de usuários ou assinantes em 2022 ante 2021”, disse o vice-presidente financeiro da companhia, Paul Vogel, à Reuters.

A previsão minimizou o desempenho da receita no quarto trimestre, que veio mais alta que o esperado, puxada por vendas de mais anúncios e novos serviços como podcasts. A base de assinantes pagantes cresceu 16% e o total de usuários ativos mensais subiu 18%, para um recorde de 406 milhões.

Mas a companhia previu para o atual trimestre 183 milhões de usuários pagantes, abaixo das expectativas de 184 milhões. A receita deve cumprir o esperado de 2,6 bilhões de euros.

Controvérsia envolvendo podcaster

O serviço de streaming de música investiu mais de US$ 1 bilhão na área de podcasts, liderada por programas exclusivos como The Joe Rogan Experience. Mas o astro também atraiu controversia após seu programa ir ao ar com comentários polêmicos sobre a Covid-19 que atraíram protestos de artistas como Neil Young e Joni Mitchell.

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Rogan, um comentarista popular da internet, têm pedido desculpas e a Spotify disse que vai passar a adicionar mensagens de alerta de conteúdo em programas que discutem a pandemia.

O presidente-executivo da Spotify, Daniel Ek, afirmou que a companhia já tem uma equipe dedicada à moderação de conteúdo.

“Tomamos medidas sobre mais de 20 mil podcasts desde o início da pandemia”, disse Ek à Reuters. “Então isso descreve o tamanho desta operação. É uma operação verdadeiramente global.”

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“Apesar de Joe ter uma audiência enorme, ele tem hoje o podcast número 1 em mais de 90 mercados, ele também tem que cumprir as políticas da Spotify”, disse Ek.

Os assinantes pagos da companhia, que são responsáveis pela maior parte da receita da empresa, cresceram para 180 milhões, ante previsões de analistas de 179,9 milhões.

A receita subiu a 2,69 bilhões de euros, ante 2,17 bilhões um ano antes. Analistas em média previam faturamento de 2,65 bilhões de euros no trimestre, segundo dados da Refinitiv.