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Itaú compra corretora digital Ideal, em primeiro movimento do banco desde sua saída da XP

Segundo o Itaú, a aquisição permitirá, entre outros fatores, "a oferta de produtos e serviços financeiros em modelo B2B2C"

Itaú no Rio de Janeiro. 29/4/2019 Foto: REUTERS/Sergio Moraes/Arquivo
  • O Itaú comprou 49,9% da XP em 2018 e planejava assumir o controle da empresa alguns anos depois, mas o Banco Central impediu a transação por questões de defesa da competição;
  • Depois disso, o Itaú decidiu entregar as ações da XP diretamente a seus acionistas principalmente para evitar potenciais conflitos de interesse entre as duas instituições.

O Itaú Unibanco anunciou nesta quinta-feira acordo para comprar a corretora digital Ideal no primeiro movimento do conglomerado no setor desde que vendeu participação na XP.

O Itaú pagará cerca de R$ 650 milhões por uma participação de 50,1% na Ideal e terá o direito de adquirir os 49,9% restantes após cinco anos.

Segundo o Itaú, a aquisição permitirá, entre outros fatores, “a oferta de produtos e serviços financeiros em modelo B2B2C”, a aceleração da entrada no mercado de agentes autônomos de investimentos e o aperfeiçoamento na distribuição de produtos de investimentos para clientes pessoas físicas.

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Criada em 2019, a Ideal fornece infraestrutura para operações eletrônicas e acesso direto ao mercado para investidores. Também atende grandes fundos e se destaca nos rankings da B3, sempre entre os maiores agentes do mercado. Antes de comandar a Ideal, o CEO da corretora, Nilson Monteiro, trabalhou na Link, corretora comprada pelo UBS em 2013.

Em setembro de 2020, a Ideal levantou sua última rodada antes da aquisição, de R$ 100 milhões, liderada pela Kaszek.

“Na prática, clientes de diversos segmentos do banco, como iti, íon ou mesmo a Itaú Corretora, poderão ter acesso aos mesmos produtos nas plataformas que preferirem”, disse o presidente-executivo do Itaú Unibanco, Milton Maluhy.

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O Itaú afirmou que a Ideal seguirá operando como uma entidade separada do restante do grupo.

O Itaú comprou 49,9% da XP em 2018 e planejava assumir o controle da empresa alguns anos depois, mas o Banco Central impediu a transação por questões de defesa da competição. Depois disso, o Itaú decidiu entregar as ações da XP diretamente a seus acionistas principalmente para evitar potenciais conflitos de interesse entre as duas instituições.

A XP, por sua vez, segue uma onda forte de aquisições. Só nas últimas semanas, anunciou a aquisição do Banco Modal e a compra de uma fatia da plataforma de conteúdo para o mercado financeiro Suno.