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Mercado Livre e Kaszek criam SPAC para investir em negócios digitais na América Latina

Parceria tem objetivo de levantar capital para a compra empresas na América Latina

Mercado Livre SPAC
Centro logístico do Mercado Livre. Divulgação/REUTERS.
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Mercado Livre e o fundo de capital de risco Kaszek anunciaram nessa segunda-feira (13) a criação de um SPAC para investir em negócios digitais na América Latina. A companhia, batizada de Meli Kaszek Pioneer, já tem um pedido de registro na Securities and Exchange Comission (SEC) para uma oferta inicial de ações (IPO) de 25 milhões de ações ordinárias Classe A a US$ 10 cada.

Em comunicado, as sócias afirmaram que a nova companhia será listada na Nasdaq sob o ticker “MEKA”. BofA Securities, Goldman Sachs, Allen & Company e JPMorgan devem coordenar a oferta. “A companhia pretende levantar capital através do IPO para a aquisição de uma empresa-alvo do ecossistema digital da América Latina“, afirmaram Mercado Livre e Kaszek no comunicado.

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O SPAC (Special-Purpose Acquisition Company), também chamado de “empresa cheque em branco”, é um veículo que fornece aos negócios privados uma forma de entrar no mercado público de ações mais rapidamente do que em um processo de IPO – leva alguns meses, enquanto o IPO pode levar mais de um ano –, usando a arbitragem regulatória de fusões e aquisições, que é mais simples do que as regras para se listar uma empresa na bolsa. Ou seja: troca-se uma regulação por outra. 

Em outras palavras, um SPAC é uma companhia não operacional listada em bolsa com propósito específico de adquirir empresas. É um modelo que tem crescido rapidamente em Wall Street. Na América Latina, até o momento, nenhuma empresa de tecnologia foi listada por meio de um SPAC, embora a caçada pelo primeiro negócio já tenha começado para pelo menos cinco veículos recém-lançados: o Alpha Capital, o Valor Latitude, o SoftBank, a DILA Capital e a XPAC Acquisition Corp

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Mas como isso funciona? Geralmente, os SPACs têm como gestores líderes de corporações, empresários bem-sucedidos e grandes investidores que criam uma empresa sem operação. Esses gestores (também chamados de sponsors) levam o SPAC ao mercado por meio de um IPO regular, em um processo coordenado por bancos de investimentos. Esse processo como um todo é mais fácil, já que a empresa não tem uma história para passar por auditoria. Ela nasce com um único propósito: fazer uma fusão com outra empresa. 

Os investidores acreditam na experiência do sponsor para filtrar as empresas e fazer um bom negócio e, mesmo sem saberem com qual empresa o SPAC fará a fusão, compram ações do SPAC por tradicionalmente US$ 10. 

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Depois do IPO, o SPAC começa a procurar por uma empresa alvo que queira se tornar pública. Segundo a regulação, o veículo até pode fazer uma extensão de prazo, mas geralmente o SPAC tem dois anos para encontrar uma empresa e fazer um acordo.

Se isso não acontecer, o dinheiro volta para os investidores e o SPAC se dissolve. Mas, se o SPAC faz a fusão com uma empresa que quer se tornar pública, essa empresa alvo consegue seu lugar na bolsa de valores e o ticker do SPAC vira o nome da empresa alvo.

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Como o SPAC segue a regra de fusões e aquisições, só pode fazer a fusão com uma única empresa. Depois da transação, os investidores da empresa de cheque em branco passam a ter ações na nova empresa listada e os gestores do SPACs normalmente recebem 20% dessas ações. Para levar outras empresas ao mercado público, os gestores podem criar outros veículos SPACs, o número II, III, por exemplo.