Fintech do Banco Santander aposta na América Latina para crescer no segmento de microfinanças

A fintech brasileira Superdigital está concentrando esforços em atrair as classes C e D

Fintech do Santander aposta na América Latina
Fintech do Santander aposta na América Latina. Foto: ShutterStock

Em 2013, o neobanco que tornou-se um verdadeiro símbolo da ruptura bancária na América Latina era lançado. Com a missão de reduzir a burocracia e cobrar menos taxas, o Nubank entrava no mercado com um discurso jovem, informal e descolado, ou seja, o banco digital brasileiro tinha a fórmula perfeita para atingir os millennials. E eles conseguiram.

Não à toa, o decacorn anunciou ontem (20) que a empresa ultrapassou a marca de 20 milhões de clientes. Mas ainda que a estratégia do Nubank tenha caído nas graças do mercado para alcançar a geração de early-adopters, essa não é a única maneira de construir um caminho de sucesso no mercado latino-americano. A Superdigital, fintech do Banco Santander no Brasil, está aqui para provar isso, de acordo com informações do portal Seu Dinheiro.

O principal objetivo de manter um banco digital dentro de um grupo bancário tradicional, como é o Santander, era atrair outro tipo de público-alvo que estes gigantes não conseguem atender com eficiência: as classes C e D.

Seguindo o caminho oposto de outras fintechs e neobancos da América Latina, a Superdigital não está entrando na briga pelos millennials, mas sim concentrando esforços para atender às necessidades da população desbancarizada, não apenas para finanças pessoais, mas também para micro-negócios.

Apostando em um segmento que não era lucrativo para os grandes bancos, a Superdigital, como operação independente, está oferecendo uma nova solução para empresas com alta rotatividade ou muitas contratações temporárias. Nesses casos, cada funcionário tem sua própria conta bancária da Superdigital para receber seu salário e a fintech não cobra pelo processamento das remunerações.

“O custo de um banco para processar pagamentos é bem maior. A Super construiu seus sistemas em cima de uma arquitetura mais flexível que a de um banco tradicional, onde os sistemas são muito pesados. Então ela consegue processar pagamentos de uma forma mais barata e ágil”, explicou Felipe Castiglia , CEO da Superdigital, em entrevista ao meio de comunicação brasileiro Seu Dinheiro.

Atualmente, a Superdigital possui até 1,9 milhão de contas ativas no Brasil, com um crescimento mensal de cerca de 5%. E agora que a operação já está gerando lucro em seu país-sede, os desafios para 2020 são ainda maiores. Além de aumentar sua base de clientes em 50% este ano, a empresa também está disposta a conquistar o mercado latino-americano. Depois de investir em suas primeiras expansões para o México e Chile, a empresa está se preparando para também entrar em outros mercados como Peru, Colômbia, Argentina e Uruguai.