Mercado Livre compra plataforma de entregas Kangu

Aquisição faz parte do esforço da companhia para ampliar o alcance geográfico e reduzir o prazo das entregas

Van de entregas do Mercado Livre
Foto: Leonidas Santana/Shutterstock
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  • Criada em 2018, Kangu usa lojas de bairro como pontos de coleta e entrega de encomendas;
  • Plataforma de e-commerce anuncia também dois novos centros de distribuição e prevê investimento de R$ 10 bilhões em 2021;
  • Valor da aquisição não foi divulgado.

O Mercado Livre anunciou nesta terça-feira (24) a compra de 100% da plataforma de entrega de encomendas Kangu, ampliando a aposta em logística própria como diferencial na América Latina, uma das regiões onde o comércio eletrônico mais cresce no mundo.

A transação, por valor não revelado, leva para dentro do Mercado Livre a estrutura de cerca de 5 mil pontos da Kangu espalhados por 700 cidades no Brasil, além de México e Colômbia.

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Criada em 2018, a Kangu usa pequenas lojas de bairro como pontos de coleta e entrega de encomendas, o que amplia a rede logística sem a necessidade de depender de terceiros, como os Correios. Desde o ano passado, já tinha como parceiro o Mercado Livre, cuja demanda do e-commerce cresceu fortemente desde 2020, diante do isolamento imposto pela pandemia.

A aquisição acontece após o Mercado Livre ter anunciado mais cedo neste mês dois novos centros de distribuição no Brasil, um na Grande São Paulo, outro em Belo Horizonte (MG), usando parte do investimento previsto para 2021, de R$ 10 bilhões, para ampliar seu alcance geográfico e reduzir os prazos de entregas.

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Outras grandes de e-commerce da região, como Magazine Luiza e Nuvemshop, também anunciaram investimentos robustos em logística na América Latina, região que poderá quadruplicar as vendas online nos próximos anos, até atingir percentuais similares aos da China, onde representam quase 50% das vendas totais do varejo, ante menos de 10% aqui.

No caso específico da Kangu, o Mercado Livre tenta fechar algumas lacunas que ficaram mais evidentes com a explosão do e-commerce, como a entrega de encomendas em pontos alternativos, que também podem ser usados para coleta para atender um número crescente de vendedores locais.

“Além disso, esses pontos poderão ser usados para devolução de produtos, sem que os clientes precisem enfrentar filas nos Correios”, disse à Reuters o diretor de Novos Negócios do Mercado Livre, Renato Pereira.

A Kangu seguirá comandada pelos cofundadores e atuais copresidentes, Marcelo Guarnieri e Ricardo Araújo e vai continuar atendendo outros parceiros além do Mercado Livre.

“Nossa meta agora é elevar o número de pontos de entrega e coleta, dos atuais 2,6 mil para 3,5 mil no Brasil até o fim do ano”, disse Guarnieri.